DOSSIÊS, OMISSÕES E
IRRESPONSABILIDADES
Está na internet.
Dossiês que supostamente foram entregues aos presidentes das duas casas do
Congresso Nacional falam de planos políticos de continuidade de poder que estariam sendo gestados nos bastidores do
PT. Se pinçarmos os pontos mais preocupantes para as corporações econômicas dos
Estados Unidos que estão por trás desses
“documentos”, encontraremos: transferência de renda, construção de centenas de
milhares de casas populares, mobilidade urbana ( o que significa grandes
intervenções no traçado das cidades), abertura de novas rodovias, transportes (estando ai embutido a implantação
de modais ferroviários para transporte de cargas e passageiros), aumento da
produção industrial (com ampliação da capacidade de produção instalada do
País), incentivos fiscais para a aquisição de veículos e bens eletroeletrônicos,
ampliação, modernização e privatização de portos e aeroportos, construção de novas refinarias e ampliação das já existentes, ampliação e modernização
dos estaleiros do País, uma nova política de segurança com foco na proteção das
pessoas, criação de mais escolas técnicas e novas universidades, entre outros
pontos de desenvolvimento que gerariam milhares de novos empregos.
Os grupos políticos e
religiosos brasileiros, apoiados por corporações econômicas nacionais e
estrangeiras, que irresponsavelmente divulgaram extratos do dossiê, omitem a
origem do mesmo. Documentos coligidos pelos centros de espionagem dos Estados Unidos
com base em informações prestadas por
diplomatas norte-americanos lotados no Brasil, por correspondentes
estrangeiros e até por grupos nacionais
que servem de testa de ferro dos interesses estrangeiros aqui dentro foram
finalizados pela CIA. Os divulgadores do dossiê, verdadeiros inocentes úteis,
ignoram o texto do documento entregue aos presidentes das duas casas do
Congresso, e sequer supõem que documentos idênticos são comumente repassados
aos líderes dos congressos da Argentina e do Chile. Por que Brasil, Argentina e
Chile? Ora, esses três países que formam o Triângulo ABC, grupo político e
econômico mais forte da América Latina, possuem estrutura e recursos naturais
suficientes para se erguerem e formarem um bloco forte e competitivo. Dai o
interesse norte-americano de interferir nas questões internas desses países,
financiando campanhas eleitorais que impeçam a curto e médio prazo a ascensão de
lideranças populares capazes de viabilizar esse projeto de vitalizar o bloco em
questão.
Esses grupos “denunciadores”
procuram tirar proveito político da situação criada pelo clima alarmante em que
vive atualmente a sociedade brasileira. E talvez por ignorância histórica,
tentam reeditar o clima de agitação que gerou o movimento militar de 1964,
quando o então governador Miguel Arraes era apontado pela oposição como rico empresário, dono de fábricas no
Estado e no Ceará e de grandes fazendas de gado no Agreste de Pernambuco e no
Maranhão. É dessa época que os bacamarteiros de Caruaru foram apresentados por
revista norte-americana como “perigosa milícia armada”. Época também em que o advogado
Francisco Julião implantava em Vitória de Santo Antão um sistema de cooperativa
agrícola, que os diplomatas norte-americanos taxaram de “células comunistas”.
Dado curioso: nessa época o consulado dos Estados Unidos no Recife possuía um
quadro de diplomatas muitas vezes maior do que o existente na embaixada na
Capital da República. A curiosidade se alia a coincidência do momento, o
consulado norte-americano está se mudando para o Paço Alfândega, onde terá
maiores espaços para abrigar mais diplomatas e mais espiões. Finalmente, tomado
o poder, os militares nunca encontraram as fábricas nem as fazendas de Miguel
Arraes, bem como as tais células comunistas de Francisco Julião, e os
bacamarteiros de Caruaru continuaram a ser o grupo folclórico de sempre.
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