NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

                                             A FERRUGEM DA ALMA


                                                    Emílio J. Moura



O mundo pós-moderno é um ambiente onde as pessoas vivem em clima de plena liberdade. A mídia é a principal guardiã dessa formidável conquista do ser humano. Os parlamentos do mundo inteiro legislam continuamente no sentido de aperfeiçoar os postulados da liberdade. E a Justiça, provocada pelo interessado prejudicado em seu direito de ir e vir ou exercer suas prerrogativas legais, restaura a liberdade do individuo momentaneamente impedido de exercê-las. Todavia, essa concepção de direito individual – como toda concepção – só existe formalmente, em teoria. A verdade é que teses sobre liberdade plena só beneficiam uma pequena parcela da população. Aquela parcela mais bem contemplada por boa educação, formação universitária ou qualificação em áreas de alta tecnologia ou pessoas pertencentes a grupos ligados aos centros de tomada de decisão. Vale dizer: é privilégio de poucos.

Não é apenas o Brasil. No mundo inteiro as elites se beneficiam da legislação vigente em cada país. Cinicamente, essas elites pregam as maravilhas do primado da liberdade. E fazem uso dele como se fosse uma arma defensiva – e exclusiva – dos grupos de mando e poder. Esquecem que milhares de pessoas circunstancialmente flagradas na prática de delitos têm um peso de culpa imensamente menor do que aquela atinente aos seus próprios ilícitos. Os mais fracos são punidos com penas mais severas, embora seus delitos sejam comuns, de pequeno prejuízo a terceiros, enquanto os delitos das elites são extremamente graves, mormente aqueles praticados por agentes públicos que manipulam em seu favor as verbas destinadas a assistir aos mais necessitados.

As elites são tão cínicas que catequizam pessoas incautas para servirem de testa de ferro – quando não de bode expiatório – para acobertarem seus crimes. E a corrupção que avassala a sociedade vai se enraizando entre os seus vários segmentos de tal forma que já atingiu o estágio de latência. Como um vírus que atua sorrateiramente, a corrupção sob todas as formas conhecidas ou imaginadas vai dominando a sociedade humana como uma ferrugem que começou a comer o miolo do sistema social e agora já se pronuncia abertamente corroendo a alma das pessoas.

Mas, como vivemos sob a égide das aparências, tudo se acomoda, a lei acoberta os mais poderosos, que podem reivindicar o estatuto da liberdade. E como tudo é aparência, só os menos agasalhados sob as asas da rede de proteção jurídico-social, ficam sem escola de qualidade para seus filhos, sem saúde minimamente decente e vulneráveis às espertezas das elites.
 17.07.2009

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O pensamento do dia

 O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL SERÁ FEITO COM BRAÇOS FORTES, MENTES TREINADAS E PATRIOTISMO
                                              A MADAME E A PROSTITUTA

                                                          Emílio J. Moura

Verão de 1987, Sol já se escondendo no acinzentado entardecer de São Paulo. No MASP, um quadro me chamava a atenção. Era um di Cavalcanti. Olhava, olhava e não entendia lá muito bem o que o pintor queria passar. Próxima a mim, elegante senhora esquadrinhava a obra do festejado artista brasileiro. Parece que a bela senhora percebeu minha dificuldade de neófito em arte. Aproximou-se, e sem mais comentários nem apresentação, foi discorrendo sobre a estrutura estética do quadro. Falou do alto nível da perspectiva e da simetria entre os vários elementos constitutivos da tela. Mostrou-me a beleza entre a profusão e a combinação de cores, e delicado contraste entre as sombras pouco carregadas e a luz diáfana. Confesso que a certa altura da dissertação me interessava mais a voz suave e culta da minha cicerone ocasional do que propriamente o quadro em minha frente. Não fosse minha timidez teria me virado para ela e a admirado em sua silhueta deslizando dentro de um longo folgado de tecido fino. Esvoaçava o vestido, embora o ambiente fechado, e isso emprestava àquela senhora um charme distinto naquele espaço onde não faltavam mulheres produzidas e belas.

As cores delicadas do vestido que eu observara apenas de soslaio combinavam com a cútis morena da bela mulher. Sapatos de saltos altos; uma pulseira de pedras brilhando na extremidade do seu antebraço e um rosto levemente maquiado que só pude observar na despedida fechava o perfil da mulher cujo perfume tinha um toque delicado.

Terminada a exposição – não a do MASP, a da minha companhia inesperada, dirigimo-nos para a porta de saída. O interesse da mulher por mim era tanto que me fez ficar confuso. Não tinha certeza se devia me despedir dela e ir embora ou se continuava a ouví-la falar. E como falava! Num curto espaço de tempo me municiou de informações sobre arte e cultura em geral. Falou dos vários pontos onde se respirava arte na cidade de São Paulo, e acabou me convidando para visitar alguns deles. “Ainda é muito cedo, e teremos oportunidade de ver muita coisa bonita e ouvir música tranquilizante”, disse-me ela.

Hospedado em bairro não muito distante, mas temeroso por está numa cidade enorme como aquela, com sua resenha de violência e um clima nada previsível, declinei do convite. Ao seu convite para jantarmos juntos, disse-lhe já haver jantado, pois costumava fazê-lo à tardinha, antes de ir para a casa onde estava hospedado em Vila Madalena. Com seu charme e sua perspicácia, logo entrou no meu mundo mais reservado. Ao enunciar “sua graça”, falei que conhecia uma jornalista com esse nome no Recife. Ao que ela respondeu tratar-se de alguém “lá do outro lado da família, uns pobretões”. Sem querer, disse-lhe que voltaria para casa no dia seguinte. “Mas que coincidência!”, disse ela. E arrematou “Também estou voltando para minha terra querida amanhã”. Depois de me olhar sorridente, indagou-me: “Não me diga que o seu vôo é o... “, e eu, inocentemente, informei o número do meu vôo.

Helena Beltrão estaria em São Paulo em companhia de um amigo paulistano tratando da importação de produtos para a empresa da família. Estava hospedada nos Jardins. Freqüentava diariamente os points da cidade, preferindo a noite. Voltava para cuidar dos negócios da família, que sem ela ficavam acéfalos. Caminhávamos para o largo, pois ela imaginava que eu possuísse carro para uma carona, ou, quem sabe lá o que ia na cabeça dela. Quando me viu me dirigindo para o ponto de parada do ônibus, desconversou. Disse que ainda tinha um compromisso àquela noite. Estendeu-me a mão para um cumprimento final. Foi embora.

Às oito horas da manhã seguinte lá estava ela no aeroporto. A proximidade de minha família residente em São Paulo a manteve distante de mim. Até a decolagem do avião. Parecia ser um acordo; fingindo que não nos conhecíamos. Embarquei sozinho, e quando o avião atingiu altura e o comandante fez aquela saudação usual, ela arranjou um jeito de sentar numa cadeira junto a mim. Conversamos durante toda a viagem com escalas no Rio, Salvador e Maceió. Ela, entusiasmada com a possibilidade de nos encontrarmos em programas culturais no Recife. Eu, nem tanto. Ao desembarque, minha família me esperava no aeroporto e ela vendo minha mulher furar a barreira de segurança e já na esteira de bagagem, braço esquerdo me atravessando a cintura, percebeu que não tinha espaço junto a mim. Desapareceu sem sequer um aceno.

Meses depois, viajando de carro em companhia de um amigo no começo da noite, passamos por aquela mulher que mais parecia uma cobra deslizando dentro de vestido finamente acabado. Curioso, pedi ao amigo para inverter o itinerário, e ele me atendeu, entrando num retorno logo adiante e não tardou a estarmos trafegando bem perto da mulher. Dentro do carro, caminhamos um bom tempo a pouca distância daquela criatura. Ela distribuía beijos para motoristas de automóveis que buzinavam ao passar. Mais adiante, parou, estendeu os braços na direção de alguém lá do outro lado da avenida. Abraçou e beijou profusamente um homem que atravessara a rua para o encontro com ela. Despediram-se, e ela quase não lhe larga as mãos. Depois de várias cenas semelhantes, encontrou finalmente um jovem com quem se abraçou e saíram aos beijos. Pegaram um táxi e desapareceram. “Ta satisfeito?”, perguntou-me o amigo. Percebi alguma coisa de sarcasmo nessa sua pergunta. “Você a conhece?, indaguei. “Claro! Quem por aqui não conhece aquela puara?” E o amigo acabou me revelando a real identidade da camaleônica Helena Beltrão. Seu verdadeiro nome era Lídia Betina, mais conhecida por Tina. Mais alisada do que corre-mão de ônibus de subúrbio na hora de pico. Uma prostituta das ruas da Boa Vista.
                                            CENÁRIO POLÍTICO


O quadro político pernambucano já está quase que completamente definido. O setor majoritário ainda vai passar por alguns "ajustes". O governador tá mais do que reeletíssimo; os senadores, quase fechado. Humberto Costa em 1º lugar e a 2ª vaga para definir entre Marco Maciel e Armando Monteiro Neto. Visível é a ascensão de Armando Monteiro e o estacionamento de Marco Maciel nas pesquisas de intenções de voto. O atual senador que briga pela reeleição vê o adversário se aproximar perigosamente de sua posição nessas intenções de votos, com uma diferença de apenas 6 pontos percentuais. E subindo. Marco Maciel pode tá perdendo a primeira eleição de sua longa carreira política, o que, se se confirmar, pode significar seu arquivamento definitivo do quadro político estadual.


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O senador Sérgio Guerra vive um momento difícil de sua carreira política. Coordenador nacional da campanha de José Serra à presidência da República, e candidato a deputado federal (o senado não dá mais para ele), acaba não tendo como conciliar adequadamente essas duas funções, e isso mão é bom para o andamento de sua candidatura à Câmara Federal.Mas, o senador Guerra é uma dessas raposas ariscas da cena política pernambucana. E entendendo o recado que tá vindo das ruas, procura se rearrumar dentro desse cenário de vozes e sombras que é o da oposição em Pernambuco. Caminha lentamente para aderir ao esquema político do governador Eduardo Campos e não diz mais uma só palavra contra o presidente Lula.

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Por falar em oposição, o observador mais atento enxerga que os grupos que integram essa oposição se esfacelam gradativamente. Cada um dos líderes procura defender sua posição pessoal e sua candidatura, se descolando dos demais líderes como forma de sobrevivência política. Não há mais essa de adesismo ou compra de votos para engrossar o caldo da situação. Há o instinto de sobrevivência política de cada um. Oposicionistas mesmo, só Terezinha Nunes e Priscila Krause, que vão rebolar, uma para se reeleger, outra para chegar pela 1ª vez à Assembléia Legislativa. Elas vêm o chão se desmanchando debaixo dos seus pés, com o encolhimento dos seus partidos.
NOVAS PERSPECTIVAS POLÍTICAS NO HORIZONTE


Não sabemos se foi mera coincidência ou se já fruto de articulações políticas em face do quadro eleitoral que se descortina no momento. A verdade é que em duas situações diferentes neste sábado os brasileiros foram surpreendidos com pronunciamentos que podem estar a indicar uma tentativa de mudanças de rumo na política do País. Numa entrevista reservada, a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, como que já falando como presidente eleita, afirmou que irá procurar os partidos adversários, supondo-se em suas palavras que privilegie o PSDB, para apoiarem uma pauta de desenvolvimento para o Brasil. Ou seja, os adversários de hoje poderão logo mais ser parceiros nessa tarefa de alavancar a economia e a sociedade brasileira.

Não bastasse essas palavras de Dilma Rousseff, um outro fato surpreendeu mais ainda os brasileiros. Nada mais que o jornal o Globo -isso mesmo, o Globo - publica em primeira página uma sugestão, quase um apelo, no sentido da união das lideranças políticas brasileiras que hoje, em posições diametralmente opostas, se batem de forma pouco civilizada procurando convencer o eleitor do melhor conteúdo de suas propostas. Mas quem faz a matéria publicada na primeira página de o Globo é, nada mais, nada menos, do que Cacá Diegues. O cineasta brasileiro, que conhece as mazelas da sociedade brasileira que ele testemunhou nas favelas do Rio e de São Paulo, e que denunciou em seus filmes, e tem alta sensibilidade política e invejável faro para identificar as causas políticas e econômicas dessas mazelas, propõe de forma clara e corajosa, a "união do PT com o PSDB" após as eleições, como forma de aproveitar o bom momento em que vive a economia brasileira e acelerar o desenvolvimento do Brasil.

Não é segredo pra ninguém que várias lideranças oposicionistas brasileiras já vão lentamente refreando o tom de seus discursos, como numa sinalização de que desejam , depois das eleições, participar de um projeto impactante que seja capaz de colocar o Brasil no grupo da elite dos países desenvolvidos. Só alguns" xiitas " se opõem a essa idéia, que como vimos - e apesar do radicalismo deles - tende a prosperar. Ninguém defende aqui o fim das oposições. Não há democracia forte se não houver oposição consciente, sincera e atuante. O que não pode é permanecer esse fundamentalismo ideológico, que trava o diálogo e inviabiliza o progresso.

domingo, 29 de agosto de 2010

O pensamento do dia

"O PESSIMISMO É UM CÂNCER DA ALMA"
                                               NÃO AO TABAGISMO


Médicos, dentistas, educadores, ambientalistas e ativistas fazem neste dia UM ESFORÇO CONCENTRADO contra o cigarro. Milhares de pessoas no mundo inteiro são fumantes, inclusive crianças e mulheres grávidas. O fumo é um dos piores vícios que aprisionam o ser humano. Antes tido como "hábito elegante" (marca criada pela indústria do fumo incentivada por muitos governos que têm no cigarro sua grande fonte de recursos em impostos), o fumar é hoje, felizmente, considerado pelos formadores de opinião como um dos grandes males do mundo moderno. RESPONSÁVEL POR MAIS DE 4 MILHÕES DE MORTES POR ANO EM TODOS OS CONTINENTES, o tabaco tem mais de 5 mil substâncias tóxicas, destacando-se entre elas a nicotina e o alcatrão. A nicotina funciona no organismo como um psicotrópico, criando dependência química e sujeitando o fumante ao vício; o alcatrão possui dezenas de ingredientes tóxicos de natureza cancerígena. O uso do tabaco provoca queda de cabelo,enrugamento da pele, cárie, úlcera do estomago, perda da audição, diabete, hipertensão, e - preste bem atenção nisso!- é causa de câncer do pulmão, nariz, língua, faringe, rins, pênis, pâncreas, mama, etc. A fibrose pulmonar vem depois de uma inflamação dos tecidos pulmonares; na mulher, o tabaco aumenta as chances de infarto, diminui a libido, gera osteoporose e menopausa precoce. Uma doença cruel advinda do uso do cigarro é a Doença Obstrutiva Crônica (DPOC), que limita a capacidade de respiração do fumante.O cigarro causa ainda perda do apetite, dando ao fumante a falsa idéia de estar saciado.

NÃO SE ENGANE: FUMAR É UMA DOENÇA! O FUMANTE VIVE NUMA SITUAÇÃO DE DEPENDÊNCIA QUE EVOLUI PARA CONDIÇÕES GRAVES COMO O CÂNCER DE PULMÃO E DE OUTROS ÓRGÃOS. COMO DOENTE, O FUMANTE PRECISA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO-PSICOLÓGICA COMO MEIO DE TRATAMENTO PARA DEIXAR DE FUMAR.

LIVRE-SE DO CIGARRO! DEIXE DE FUMAR! VOCÊ VIVERÁ MAIS TEMPO E COM MELHOR QUALIDADE DE VIDA. PENSE NISSO!

O CASO SERRAMBI

Tem início nessa segunda-feira o julgamento dos kombeiros acusados da autoria dos crimes que tiraram as vidas de duas jovens de classe média alta: Maria Eduarda e Tarcila Gusmão. É um processo complexo e muito polêmico. As moças desapareceram na praia de Serrambi no dia 3 de maio de 2003 e seus corpos só foram localizados 10 dias depois, num canavial do município de Ipojuca, mata sul de Pernambuco.



As circunstâncias em que os crimes ocorreram talvez nunca possam ser esclarecidas. Há um verdadeiro cipoal de informações desencontradas que levaram o promotor do caso, Miguel Sales, a devolver por várias vezes à polícia as peças do inquérito. Os acusados pelos crimes, os kombeiros Marcelo Silva e Valfrido Lira estão presos. Nunca assumiram a autoria dos delitos. Persiste uma dúvida quanto à forma como foram conduzidas as investigações, que passaram pela polícia civil e depois tiveram o crivo da polícia federal. Em ambos os casos, as conclusões foram as mesmas. Os acusados eram os culpados.

O promotor Miguel Sales, que sempre detectou falhas no inquérito, foi afastado do caso. Há, na opinião de boa parte da população de Pernambuco, a impressão de que elementos anômalos e razões discutíveis viciaram a elaboração do inquérito policial e contaminaram o processo judicial. Alguns chegam a falar em "manipulação" de provas. Uma pessoa teria afirmado que ouviu uma confissão de pessoa que seria parente do "verdadeiro" criminoso, o qual, segunda a "testemunha", foi levado pela família para os Estados Unidos para livrá-lo da acusação.

Há, em todo esse rumoroso caso, indagações que precisam ser bem esclarecidas.

1) Por que os kombeiros nunca apontaram as pessoas que os contrataram para fazer o transporte dos corpos das inditosas jovens para o canavial? Essa atitude levaria a polícia ao verdadeiro criminoso, já que não seriam eles, os kombeiros os responsáveis pelos crimes.

2) Como explicar que os kombeiros são defendidos por advogados de grande renome nos meios jurídicos do Estado? Quem estaria pagando a esses advogados?

3) Por que o promotor Miguel Sales foi afastado do caso? Houve ingerências de natureza política na mexida das autoridades que investigavam o caso?

4)Por que o então secretário de defesa social, Aníbal Moura, em vez de cuidar do caso, centrava fogo no promotor Sales? O secretário chegou a acusar o promotor de "fazer jogo político" com o caso.

Indagações à parte, algumas dúvidas persistem no que tange ao que realmente aconteceu em Serrambi. Disputas entre familiares de uma das moças, onde razões diversas para explicar a conduta das meninas e os crimes só lançaram mais sombras sobre o caso; interesses políticos, brigas conjugais e razões econômicas foram ingredientes que igualmente atrapalharam a elucidação do caso; os irmãos kombeiros, ao que parece, não foram os autores das mortes das jovens; mas, eles, com certeza, sabem quem matou Maria Eduarda E Tarcila Gusmão. E desta forma, são coniventes. Aliás, Marcelo e Valfrido já possuíam antecedentes policiais, sendo que um deles respondeu processo criminal. Eles não são tão inocentes assim!

Seja como for, o resultado do julgamento é previsível. Os acusados serão condenados. Caberá à sociedade ficar vigilante, exigindo que as discussões na sala do júri considere todas as variantes do processo e encontre a saída justa e legal.

Finalmente, é indispensável que se diga que as jovens assassinadas levavam uma vida muito livre, e em algumas opiniões de pessoas mais conservadoras tinham conduta de "prostitutas". É cada vez mais imperioso que os pais cuidem melhor de seus filhos, principalmente das filhas, orientando-as, vigiando seus contatos e influindo mais responsavelmente na educação delas.

sábado, 28 de agosto de 2010

PENSAMENTO DO DIA

"Nenhuma técnica psicológica funciona se o amor não funcionar"
                                                                             -Augusto Cury.

DONA TEREZINHA COM SEU NÚCLEO DE VOLUNTÁRIOS PRECISA DE VOCÊ

Hoje é o DIA MUNDIAL DOS VOLUNTÁRIOS. E se você quer saber o que é ser um voluntário, não precisa ir a um dessas instituições internacionais, como Rotary Club e similares. Basta observar o trabalho que uma mulher decidida vem desenvolvendo há 4 anos numa comunidade composta na sua maioria por pessoas carentes.Essa mulher, que é diabética e hipertensa, já teve um enfarto (espasmo da musculatura do miocárdio), já sofreu um acidente vascular cerebral há uns 6 anos, do qual herdou sequelas como redução da força muscular dos membros inferior/superior esquerdos , dificuldades para escrever e acentuada queda da potência oral. Depois de aposentada por invalidez, dona Terezinha se tornou uma voluntária. Veja a seguir algumas das coisas que ela faz:

Dona Terezinha é uma mulher guerreira. Luta até suas forças permitirem pelas pessoas mais necessitadas da Vila. Em apoio à saúde, afere pressão arterial, mede o nível de glicose no sangue (HGT), faz curativos, aplica injeções, visita pessoas doentes, conversa com as pessoas, orientando-as quanto a seus direitos ou as encaminhando para emergências médicas, marcação de consultas, etc. E não fica por aí. Em companhia do coronel Paiva ou do engenheiro Dr. Plínio, da Defesa Civil de Jaboatão dos Guararapes, dona Terezinha percorre, além de áreas da vila, comunidades periféricas e até bairros dentro de um longo perímetro em torno de sua base de trabalho, além de identificar pessoas necessitadas de ajuda ou morando em locais de risco; cadastra as pessoas e solicita a presença da Defesa Civil. Mostra os locais onde deve ser colocada lona plástica para proteger barreiras em risco de deslizamento, retira pessoas de áreas de risco, encaminhando-as para o auxílio-moradia, bolsa-família e outros programas assistenciais do governo. Não é só: dona Terezinha procura e localiza pessoas dependentes de outras atenções, como troca de moradia porque a em que está corre risco de desabamento; pessoas que tem grandes carências nutricionais, sejam grávidas, crianças, idosos; inclusive, descobriu 3 crianças com fibrose cística, que pela natureza da doença, necessitam de dieta especial, e dona Terezinha lutou, lutou e conseguiu junto à prefeitura os alimentos que as crianças precisavam, e provisionou 6 meses dos produtos. Agora é renovar a estocagem dos alimentos. Muitas pessoas viviam à margem da sociedade, desconhecendo seus direitos, e dona Terezinha mobilizou toda essa gente em busca de melhores dias e qualidade de vida.

Agora mesmo dona Terezinha assumia nova tarefa: passou a trabalhar também com o pessoal do Serviço Social do Estado, que necessita de sua ajuda para localizar as pessoas residentes em Jaboatão que entraram no auxílio-moradia em 2010, e que serão remanejadas para o Estado. Dona Terezinha começa a se relacionar com novos parceiros, para trazer melhorias sociais para a UR-11.

Neste momento, dona Terezinha tá lutando para conseguir alimentos e medicamentos para outra família de necessitados que encontrou na comunidade de Minha Deusa. São 4 crianças irmãs necessitadas, sendo duas portadoras de anemia falsiforme, uma doença maligna do sangue cujo tratamento exige medicamentos de altíssimo custo e duas outras na condição de "cuidados especiais", que necessitam ser incluídas no cadastro de beneficiários da Previdência Social. Tudo isso é um longo caminho a percorrer, pois tá na dependências de laudos médicos, intermediação do Conselho Tutelar do Município, audiência no Ministério Público, para finalmente chegar à prefeitura.Mas dona Terezinha, trabalhando com a comunidade, aprendeu todos esses caminhos e descobriu meios para agilizar as soluções. Têm outras famílias necessitadas de cuidados diversificados, e dona Terezinha já tá cuidando delas.

Mas, você sabe mesmo quem é dona Terezinha? Não! É a coordenadora do Núcleo dos Voluntários da UR-11, que fica ali na pracinha, junto à associação dos Moradores. Você também pode colaborar com dona Terezinha e seu Núcleo. Doe alimentos não perecíveis, água mineral em garrafas, peças de roupas para adultos e crianças, grávidas e recém-nascidos, sapatos, bolsas,etc. Doe também aquele aquela cama, beliche, cadeiras, mesas e outros móveis que não lhe servem mais, bem como livros, pratos, talheres, copos. Tudo será bem-vindo para as pessoas mais necessitadas do que você. Visite o Núcleo, o serviço funciona de 2ª a 6ª, pela manhã; quando necessário estica o expediente até à noite. Dona Terezinha precisa de mais voluntários. SÓ NÃO LEVE DINEHIRO. O NÚCLEO É DE VOLUNTÁRIOS, E TRABALHA À BASE DE DOAÇÕES ESPONTÂNEAS.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PENSAMENTO DO DIA

"  o  Santo não condena o pecador; ampara-o sem presunção".

A CONFRARIA DOS PATIFES

                                               A CONFRARIA DOS PATIFES


                                                         Emílio J. Moura

                                              (emiliojmoura@hotmail.com)

Patifaria se tornou uma ação corriqueira nas relações humanas. Valores éticos são desprezados por políticos, administradores, empresários. Pior ainda: esse valores são menosprezados hoje até no seio outrora sagrado da família. A partilha dos quinhões a que os herdeiros têm direito deixou de ser uma questão de honra, de mérito, para tornar-se um exercício de esperteza. Ou um problema de violência, com perseguição, opressão, astúcia, crime ou declarada má-fé. Por conta de heranças, filhos encomendam a morte dos pais, ou estes contratam bandidos para eliminarem os filhos. A fraternidade, antes reinante nos clãs familiares e decantada pelos chefes de famílias, fica de fora nas ocasiões em que é feita a partilha dos bens de herança.

Uma família muito conhecida e tida por muito tempo como modelo de convivência pacífica, de repente põe as garras de fora. Por causa de um barco usado em passeios turísticos e doado a uma adolescente por seu irmão, o status de civilidade da família deu com a cara na lama. A questão da propriedade do barco assumiu contornos impressionantes. Depois de transportar muita gente em visitas a lugares paradisíacos, o barco se transformou numa pedra no sapato da adolescente. Seu irmão morreu numa situação trágica, e ai começou o inferno astral da menina. O morto possuía outros barcos, casas e bens diferentes. Por confiar excessivamente na honra da família não teve o cuidado de dar nomes aos bois. Isto é, não registrou devidamente cada bem em nome do parente-herdeiro que escolhera.

Para complicar, o falecido era um parente-aderente; não tinha rigorosamente laços sanguíneos com a família em que ainda também adolescente se inseriu, após a morte dos seus pais e avós. Complicação maior ficou para a irmã mais nova, a quem doou o principal barco. É que a menina, por iniciativa dos seus avós antes de morrerem, foi morar com os padrinhos. Criada com muito mimo e sem outros cuidados didático-familiares, ela se espelhou na irmão de criação, já adulta e gestora de negócios hoteleiros. Os padrinhos de Patrícia tinham um casal de filhos, todos adultos. Desde crianças levaram uma vida livre onde não existia nenhum limite. O irmão de criação de Patrícia, é, na verdade, uma máquina registradora. Só pensa em dinheiro. E é capaz de qualquer coisa para conseguir seus intentos consumistas e dominadores. Apoderando-se do barco, o rapaz usou a renda do mesmo para montar seu enxoval de casamento, arrumar sua casa e finalmente, casar. Patrícia, coitada, quando via algum dinheiro era migalhas que o irmão lhe dava quase à guisa de esmola.

O tempo passou, e Patrícia agora é adulta. Rebelde, como todo jovem de hoje, dá um nó na cabeça da madrinha, que gostaria de tê-la sob reios. A indignação de Patrícia aumentou depois que o irmão vendeu o barco, sem consultá-la. E numa dessas manobras espúrias típicas dos negócios das famílias de hoje, pretende entregar à irmã uma quantia menor que um terço do valor da venda do barco. Alega, entre outras coisas, que gastou dinheiro mantendo e reformando o barco. Mas o dinheiro por ele gasto na conservação do barco foi proveniente da renda do mesmo. E não bastasse ter explorado a irmã, sonegando-lhe o que de direito lhe pertencia, pretende, com essa manobra, cobrar indenização por ter cuidado do barco. Useiro e vezeiro na arte de se apropriar de bens alheios, o irmão de Patrícia teve o despudor de pressionar e até ameaçar outros familiares para se apossar de bens outros que ainda estavam sob guarda de outro segmento da família onde de fato morava o inditoso e verdadeiro irmão de Patrícia. No momento, uma guerra surda se trava no seio da família. Os padrinhos de Patrícia parece não enxergarem o que está acontecendo.

Olhando de longe, alguém pode ter a impressão de que os padrinhos de Patrícia se alhearam aos fatos que ocorrem sob suas vistas por pura ignorância. Outros, mais piedosos, podem achar que eles são uns pobres coitados, manipulados pelos filhos. Outros ainda, poderiam imaginar uma situação em que um irmão mais velho está cuidado dos interesses da irmã e esta não reconhece os esforços que a família faz para educá-la e protegê-la. Toda opinião tem seu cunho de relatividade. Mas, olhando de dentro do olho do furacão familiar que arrasa com os últimos bens éticos daquela família, o diagnóstico é bem outro. Não há nenhum inocente ali. Todos têm consciência do que está acontecendo, e os padrinhos de Patrícia acham, isto sim, que, o filho está fazendo uma coisa certa. Afinal, eles também serão beneficiados com a patifaria montada pelos irmãos de criação de Patrícia. E como sucede hoje com a maioria das famílias deste desditoso Planeta, funciona naquela casa uma verdadeira confraria de patifes.

06.06.2010

AGOSTO

Na crendice popular, agosto é um mês malfado. Algumas vezes mesmo as pessoas mais céticas chegam a duvidar desse seu ceticismo. Neste agosto foi uma sucessão de fatos horrendos. Uns, propiciados pela própria Natureza em fúria, outros, obras das mãos do próprio homem. Chuvas torrenciais na Ásia, com destruição da já precária infraestrutura de países podres, como o Afeganistão; enxurradas na Índia e na China, levando destruição e mortes à várias regiões desses países. Queimadas devastando a vegetação na Rússia, região oriental de tempo húmido cuja população anda com pesados agasalhos o ano inteiro. Sem falar nas queimadas (muitas vezes propositais ou acidentais (joga-se uma "biruca" para fora do carro) em várias regiões do Brasil.

É a queda de aviões (dois deles da brasileira Embraer), apresentando lances inesperados de perícia dos pilotos ajudando a salvar vidas. É o terrorismo se alastrando pelo mundo afora, com ações ousadas que não poupam nada nem ninguém; a ousadia dos traficantes que fazem do seu meio de negócios uma forma de aprisionar os cidadãos em sua própria cas. É a ameaça de guerra nuclear e a loucura desesperada de líderes de nações que querem se impor semeando medo; é a vilania de grupos e organizações (às vezes, países), plantando notícias tendenciosas que só servem para confundir a opinião pública mundial. Enfim, são ações políticas internacionais nem sempre bem coordenadas e ações da Natureza na sua trajetória geológica. E preciosas vidas humanas são desnecessariamente ceifadas. Felizmente, o mês tá terminando. Mas será que esses eventos registrados neste oitavo mês do ano são mesmo peculiaridades do mês de Agosto?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

PENSAMENTO DO DIA

                 "Pais brilhantes são semeadores de esperanças, não controladores dos seus filhos".
                                                                                                       -Augusto Cury.

TÓPICO A TÓPICO

A Globo, como já foi dito antes neste blog, é parcial. O seu JN no ar, é tendencioso. Na edição desta terça-feira, 24, apresentado diretamente de Igarassu, mostrou apenas as mazelas de Pernambuco, como se mazelas fossem exclusividades locais. Esqueceu de explicar as origens monocultora de Pernambuco, onde os coronéis da cana-de-açúcar se encarregaram de perpetuar a miséria herdada da escravidão. Não mostrou o que de positivo se faz na industria, principalmente na área do porto de Suape; na saúde, na educação, na segurança e na geração de emprego e renda. Isso também deve ser dito aos eleitores, como base de avaliação dos candidatos.



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Em compensação, o JN no Ar, inserido nesta 4ª-feira, 25, e transmitido diretamente de cidade do Paraná, a Globo mostra as maravilhas de uma civilização em grande parte criada por descendentes de países europeus, mas não exibe os favelados da cidade com problemas sociais diversos, como os que são encontrados no resto do País. Assim, convenhamos, é levantar a bola do candidato da oposição.



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Comentário de Roberto Jeferson (PTB) a respeito de como vem sendo tocada a campanha de José Serra: "Ele está fazendo campanha para ser ministro da saúde de Dilma". A alfinetada no candidato do PSDB tem como motivo o fato de Serra "ser monotemático; só fala de saúde". Roberto Magalhães, indiscutivelmente uma das reservas morais da política pernambucana, não é candidato à reeleição. Acaba de se submeter a uma cirurgia para corrigir um aneurisma da aorta. E também não está nada satisfeito com a campanha de Serra. O sisudo político do DEM acha que tanto Serra como o coordenador da campanha, Sérgio Guerra, bem como os marqueteiros, "erraram feio".

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Como era de se esperar, baixou o nível da campanha eleitoral. Desesperados com a iminente derrota do candidato Serra, Raul Jungmann, candidato a senador pelo PPS (Frente Pernambuco Pode Mais) descobriu que Dilma já está "brigando com Lula", e não satisfeito com a evidente e deslavada mentira, disse no seu programa eleitoral deste terça-feira que Dilma já "articula seu Ministério", e aponta Palocci como um dos prováveis ministros da eventual presidenta pelo PT. Veja o desespero e a incoerência natural dessa gente. Na rua, afirmam que "os números das pesquisas estão sendo revertidos" e na telhinha caem nessa contradição.

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Essa gente da oposição já está tão desmoralizada com a sucessão de desencontros, mentiras, calúnias e desacertos dos seus candidatos que começa a brigar por espaços até para colocar seus cavaletes de propaganda. Alguns estão tão descontrolados que colocam seus cavaletes na frente da propaganda dos "companheiros", quando não chutam os cavaletes, jogando-os ao chão. Dessa forma, gente, Pernambuco  Pode Mais vai perdendo cada vez mais.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

PENSAMENTO DO DIA

"O SÁBIO NÃO MENOSPREZA O IGNORANTE; ESCLARECE-O HUMILDEMENTE"

E ELES QUEREM MAIS LIBERDADE!

Quando se esperava que a saída de Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) viesse trazer um vislumbre de mudanças de atitudes da mais alta Corte do País, eis que o novo presidente do Poder Judiciário começa dando um exemplo nada abonador. Cezar Peluso quer liberdade de decisão para legislar sobre os vencimentos dos ministros e o Pocurador Geral da República Roberto Gurgel tomou o mesmo trem. Isto é, o aumento de vencimentos deles (ministros do STF e procuradores da República) seria decidido pelo próprio pleno do tribunal, sem necessidade de encaminhamento de mensagem ao Congresso. Claro que isso trará uma onda em cascata, se alastrará aos demais tribunais e seus funcionários. O Judiciário já tem sua dotação própria  no orçamento da União. E os fundamentos da ordem republicana, onde ficam?



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Os ministros e os funcionários do STF são o segmento dos servidores públicos mais bem pagos do País e talvez do mundo. Um ministro ganha hoje R$ 26.723,00 e querem ganhar R$ 30.675,00. Os salários dos ministros aqui citados não incluem as mordomias típicas do cargo: carro com motorista,combustível, casa e ouras benesse que juntas podem superar o valor dos vencimentos propriamente ditos.



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E o STF está praticamente paralisado por falta de quórum. Além da licença médica de Joaquim Barbosa, há outros ministros afastados por motivos outros. De modo que dificilmente tem 10 ministros no plenário. E há ministros que querem mudar de corte, caso de Ellen Gracie. Há uma montanha de processos esperando julgamento pela Suprema Corte.



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A insatisfação dos ministros do Supremo com seus salários tem uma explicação. Famosos, por integrarem a Corte Suprema do País, podendo usar sua influência nos momentos decisivos de um processo de um cliente particular, poderiam ganhar bem mais se passassem à vida privada. Eventualmente, num único processo em que defendessem figurões da sociedade ganhariam mais do que recebem por um mês de trabalho como ministro. E processo é o que não vai faltar para eles.

domingo, 22 de agosto de 2010

PENSAMENTO DO DIA

 "NÃO  EXIJA  A  EDUCAÇÃO  ALHEIA; DEMONSTRE  A  SUA"

G A N D O L A

O nome soa estranho. Mas era assim mesmo que ele era conhecido. Nunca ouvi falar seu verdadeiro nome. A cara inchada de aguardente dos últimos anos de farra quase sem limites era a marca registrada do rapaz nos seus últimos tempos. Como o próprio apelido faz supor, Gandola era mesmo da gandaia. E a maior alegria de sua vida era quando chegava o carnaval. Rapaz trabalhador, empregado de uma mercearia, onde cortava charque, Gandola era apaixonado por Noemi. Moça de família estruturada, decente e por isso mesmo referência no bairro modesto onde morava. Oriunda do interior da Paraíba, a família de Noemi concentrava em sua casa – e na igreja local – as atividades marianas e demais manifestações católicas do lugar. A família da moça montara uma casa boa, bem mobiliada e de boa localização. Já Gandola era de origem bastante humilde. Morava numa rua sem qualquer estrutura social, casa modesta e família de hábitos não bem conhecidos. A diferença de status e de comportamento social entre os dois grupos familiares – que não se conheciam – fez a família de Noemi se opor visceralmente ao possível namoro dela com o rapaz estabanado que a cercava, se insinuando como pretendente.

A firma posição da família complicou ainda mais a já nada equilibrada vida de Gandola. Ele ainda tentou uma abordagem mais direta, mas sentiu que o ambiente na casa de Noemi lhe era muito hostil. Inexperiente, a moça oscilava entre o sim e o não. Com a severa educação dessa época, os pais da moça se tornaram mais vigilantes a respeito de possíveis encontros da filha com o comerciário. Criaram barreiras de contenção emocional que não permitiam que os dois se vissem como um possível casal. Mas, como todo apaixonado, Gandola não desistiu. Mudou de tática, logo detectada pela família severa. Continuava, contudo, passando em frente à residência da amada cuja família tinha o hábito de se reunir entre a tarde e a noite no terraço da casa. Eles não tinham nenhuma chance de um encontro. A cabeça da moça fora trabalhada para o passo errado que ela daria caso viesse a casar com Gandola. Inteligente, simpática e doce, a moça deve ter pesado os pormenores sociais que lhe eram cuidadosamente colocados pela palavra gentil, mas firme, de sua mãe. Chegou o carnaval, e Gandola aproveitou para se aproximar mais de sua querida. Ela, porém, não era vista no terraço. Com a cara pintada, vestido de saia e camisa feita com remendos coloridos, Gandola montou uma turma de amigos, carnavalescos como ele, e desfilava com os amigos tocando bumbo, triângulo, recorreco e todo tipo de apetrechos dos quais arrancavam algum tipo de som. Ainda que fizessem muita zoada. E zoada era fundamental para a forma de se expressar do grupo. Começavam na sexta-feira à noite, e só terminavam na quarta-feira de cinzas, com o bacalhau do Gandola. Que já era uma tradição ali no arrabalde. A farra se iniciava cedo. Ou melhor: não parava, era noite e dia, aquela rapaziada cantando, abraçados, circulando por todas as ruas, sem deixar de incluir a frente da casa de Noemi como roteiro das suas brincadeiras quase intermináveis. Quase não paravam; se é que paravam.. Eram intermináveis mesmo. Pelo menos, enquanto durasse o carnaval. Dormiam no meio da rua, se é que dormiam em algum momento.

Na quinta-feira, quando ainda de ressaca se apresentou para trabalhar, Gandola foi despedido do emprego. Logo já estava trabalhando em outro estabelecimento. Com a insistência do moço em passar sempre que podia na frente da casa da garota, ele acabou surpreendido com uma informação, provavelmente fornecida por algum visinho dela. A moça tinha sido levada para o interior de sua família. A tristeza tomou conta do rapaz. Sua frustração emotiva teve repercussão desastrosa. E trágica. De farrista, tornou-se ébrio. Passava pouco tempo num emprego, e acabou não encontrando mais quem lhe desse trabalho. Passou a não viver propriamente; era levado pela vida. No novo período de carnaval, o grupo de boêmios amigos do moço aumentou. Eles tentavam restabelecer a auto-estima do amigo abalado por tanto insucesso pessoal e emocional. Desempregado, cara inchada pela aguardente, Gandola não baixava o tom durante o carnaval. Pelo menos, nessa época. Emagrecido e sem aquela energia de antes, dançava pelas ruas do bairro no meio de sua turma agora de vestes femininas completas. Os outros amigos ainda saiam e assistiam uma parte do carnaval no centro do Recife, ou na parte central do bairro. Gandola, não. Ele circulava dia e noite, até pelas madrugadas desertas do arrabalde, às vezes solitário. Mas cantando e dançando. Marcando seu espaço. Passado o carnaval, ele teve uma grande alegria e uma decepção ainda maior. Noemi estava de volta à casa dos pais. Mas, já comprometida, casaria dentro de pouco tempo. Os velhos cederam ao assédio que o filho do posseiro de muitas terras devolutas daquelas bandas ensaiava em torno de Noemi. Arranjaram um casamento para a menina. Um namoro, logo seguido de um noivado selaram o compromisso. Noemi agora circulava em companhia do noivo, e não raro chegava de carro em companhia dele e de uma irmã dela. A situação estava definida. Inconformado, Gandola vingou-se na bebida. Bebia cada vez mais.

Naquele que seria o último carnaval de Gandola, os seus amigos compraram um bacalhau inteiro, espetaram-no numa vara e o transformaram num estandarte a identificar o grupo já conhecido pelo nome do peixe. Aquele bacalhau, depois de vários dias tomando poeira, sol e sereno, foi consumido pela turma na quarta-feira, depois de assado num fogo improvisado sobre pedras e tijolos no pátio da igreja. Acompanhado de muita cerveja e muita aguardente. O irrequieto grupo de rapazes não parava de cantar e dançar ao som dos instrumentos que eles mesmos tocavam. Já no fim da tarde, bêbados de cair e formando uma fila em que uns se seguravam nos outros, o grupo chega à rua onde morava Noemi, agora já casada. A alguma distância da casa dela, param para a despedida. Ninguém ali se agüentava mais de pé. E cantavam a música da despedida do carnaval, já encerrado no dia anterior. Comandados por Gandola, fazendo coreografias, que só eram possíveis porque uns seguravam os outros, cantavam: é de fazer chorar / quando o dia amanhece / e se vê o frevo acabar / oh quarta-feira ingrata / chega tão depressa / só pra contrariar (...). E Gandola chorava copiosamente. Não se sabe se chorava a perda da mulher que tanto amava, ou se antevia que aquele fosse seu último carnaval. Ou se chorava as duas coisas. Gandola não vira o carnaval seguinte. De faces inchadas, sem se alimentar e bebendo sempre, acabou tendo problemas de saúde mais graves. Internado em caráter de emergência, morreu alguns dias depois na emergência de um hospital público. A história de Gandola é a história de milhares de criaturas perturbadas pela paixão doentia. Que não conseguem racionalizar suas emoções. Se é que se pode pensar que alguma vez a emoção de pessoas loucamente apaixonadas sucumbiu à razão. Gandola não usava nenhum processo racionalizado. Ele era só emoção!

                                                            (Do livro Tipos exóticos de minha adolescência, 1978)















A BOLA VAI SUBIR

No próximo Domingo começa o Campeonato Mundial de Basquete, na Turquia. A modalidade deixou de ser popular no Brasil graças a uma série de PÉSSIMAS (assim mesmo, com letras maiúsculas) administrações na CBB (Confederação Brasileira de Basquete). Porém, estamos falando do terceiro esporte mais assistido no mundo - fica atrás do futebol e do rugby. Como foi prometido, o blog vai fazer uma pequena análise dos grupos da competição. Começamos hoje pelo Grupo A, formado Alemanha, Angola, Argentina, Austrália, Jordânia e Sérvia.
 Nowitzki: ausência alemã na Turquia
Ginobili: A Argetina será forte sem ele?
Os principais times da chave estarão bastante desfalcados. Manu Ginobili e Pablo Cantero (argentinos); Kris Kaman, Pascal Roller e Dirk Nowitzki (alemãos); além de Andrew Bogut (australiano) farão muito falta aos seus times. A Argentina leva uma ligeira vantagem sobre os demais pelos amistosos de preparação. Vencer a Espanha em plena Arena de los Toros não é para qualquer um. Os sérvios não sofrerão com grandes ausências e, por isso, devem ficar com a segunda posição. Caberá a alemãos e australianos disputarem a terceira posição para fugir de um eventual confronto contra os Estados Unidos nas oitavas-de-final. Jordânia e Angola são meros coadjuvantes e vão à Turquia para ganhar experiência e evoluir o jogo de suas respectivas seleções.
Nos próximos dias, o Grupo B (no qual está o Brasil) será o destaque. Ate lá!
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Muitas perguntas e poucas respostas
O momento do futebol pernambucano nas quatro séries do Campeonato Brasileiro nos deixa algumas dúvidas: o Náutico está em queda livre ou, apenas, passa por uma má fase? O Sport vai conseguir engrenar uma sequencia de vitórias ou o triunfo contra o São Caetano foi só fogo de palha? O Santa Cruz vai fazer valer a sua camisa na reta final da quarta divisão? Quando o interior conseguirá ter um time capaz de ir longe num campeonato nacional?
As próximas partidas das equipes do Estado darão uma noção para respondermos as perguntas feitas acima. Por enquanto, resta-nos a pura e simples especulação.

sábado, 21 de agosto de 2010

E HAJA VIOLÊNCIA

A bandidagem não tem mais limites. Quando acuada numa área do Rio de Janeiro, de São Paulo ou de outros estados logo se transfere para outros lugares. A forte pressão das autoridades não tem conseguido eliminar as quadrilhas que atacam delegacias, quartéis das forças armadas, carros-fortes, bancos, casas lotéricas e por ai vai.Neste final de semana tiveram a ousadia de invadir um hotel de luxo no Rio. Foi uma invasão acidental, pois os destemidos criminosos vinham de um festão lá na Rocinha e foram surpreendidos pela polícia quando retornavam para suas bases por uma avenida importante da antiga capital. Curiosamente, usavam coletes à prova de bala próprios da polícia e em bando usando motos se dirigiam às suas "comunidades". Os 10 bandidos presos dificilmente ficarão muito tempo na cadeia, a menos que alguns deles respondam a processos por ações hediondas e sejam assim alvo de protestos e pressão da sociedade. Caso contrário, logo mais estarão voltando às suas festinhas de arromba nas favelas pelas madrugadas. Também recentemente, um magistrado da cúpula do Judiciário de Sergipe foi alvo de tentativa de assassinato por bandidos armados; ele escapou, atirando e espantando os bandidos, mas seu motorista e segurança, um policial militar, morreu na ação dos bandidos. Em Alagoas, não faz muito, bandidos atacaram quarteis, autoridades e deixaram seu recado ao frágil sistema de segurança daquele Estado de que são um poder fortemente armado e estruturado para impor sanções a quem tentar obstacular seus caminhos.No Piaui, em Tocantins, no Pará e em outros estrados a bandidagem parece incrustada na administração pública. Acusações de vendas de sentenças, também feitas no Rio e em São Paulo, indicam que o Poder Judiciários desses estados está contaminado pelo virus da criminalidade.
Nada disso difere do que aconteceu não faz muito quando a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Dantas e realizou devassas em suas empresas. O  banqueiro saiu da cadeia graças a medida protecionista (isso mesmo: protecionista) do ministro Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Aliás, Gilmar Mendes, quando  estava "de plantão" no Supremo, interpretando ao seu modo a Lei, sempre concedia medidas dessa natureza beneficiando velhos criminosos conhecidos da sociedade.
Tudo isso leva a pensar que a podridão faz correr sua lama pelos subterrâneos do Poder Judiciário que absolve criminosos de colarinho branco que botam a mão no dinheiro público ou lezam o erário sonegando imposto e faturando em cima de empresas fantasmas. Enquanto isso, cidadãos que num ato de desespero para alimentar seus filhos se apoderaram de uma galinha de alguém mofam sem julgamento na cadeia, sem um advogado que os defendam ou cumprindo por anos penas que seriam de alguns meses, se fossem julgados. A violência é um mal que desnecessário que se multiplica em função da impunidade de uma lei cheia de brechas para escape de poderosos e espertos, mas severa demais para praticantes de pequenos delitos. No Brasil, o julgamento de crimes hediondos tem pesos e medidas diferentes conforme o poder econômico de quem os pratica. Se bacanas com trânsito nas altas esferas recebem um tratamento aparentemente punitivo; se presos, ficam na cadeia por pouco tempo, acabam soltos e quando muito com a obrigação de pagar a pena com trabalho alertnativo que ninguém fiscaliza. Quando pobres, o rigor da lei.

Cadeias superlotadas de pessoas pobres que poderiam cumprir suas penas fazendo trabalho de interesse público, como prestando serviços em áreas de higiene, limpesa de canais e outras mais. Com menor custo para a sociedade e certamente com efeito pedagógico superior ao que se consegue na cadeia.

Agora, com bandidos, assassinos cruéis, assaltantes desumanos, estupradores, ladrões do dinheiro público que poderia ser usado na saúde e na educação dos mais pobres e praticantes de crimes hediondos, para esses todo o rigor da lei. Sejam eles ricos ou pobres. É necessário que a sociedade continue vigilante, exigindo reformas da lei para adequá-la a essas necessidades de sobrevivência e apefeiçoamento das instituições públicas do País. Só assim veremos um dia o fim de ações de bandidagem como essas que relatamos acima.

TRANSPORTE PÚBLICO, LIXO E ÁGUA

Os segmentos da população da Região Metropolitana do Recife que dependem do transporte público para se deslocar continua enfrentando muitos problemas. É a qualidade e as condições precárias de higiene dos veículos; é o atraso nos horários de partida e chegada das diversas linhas; é a via pública esburacada, de piso  antigo e sem manutenção obrigando a  um trânsito lento e estressante; sãos as distâncias dos locais de trabalho em relação àquele em que se mora; é o despreparo dos operadores do sistema; é a violência assutando ou vitimando os passageiros de muitas linhas com assaltos em ônibus. O metrô, infelizmente, ainda não atende mais que 30% dos usuários do sistema de transporte público de passageiros. A linha sul parece travada em seu desenvolvimento, sem conclusão das estações de integração que vem se arrastando desde o governo anterior. É necessário ampliar e diversificar as linhas de metrô, pois só assim será possível melhorar as condições de transporte de passageiros na RMR.

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O lixo doméstico e industrial  em toda região metropolitana do Recife constitui um desafio que vem enfrentando as administrações dos municípios integrantes da área e prejudicando as populações locais. As disputas territoriais e de interesse político dos edis não contemplam o bem-estar das pessoas porque como em todo o País atendem a esses interesses. Municípios da RMR de grandes áreas ociosas, mas sem condições logísticas para captação, transporte, destinação e tratamento do lixo, elegem, obviamente, os municípios mais desenvolvidos para destinação de suas sobras. Recife, já saturada, usa aterro sanitário particular contratado pela prefeitura de Jaboatão dos Guararapes como destino final do lixo produzido na capital. E isso traz um custo maior para o setor. O projeto de uma usina de lixo em Areias, zona sul da cidade, enfrenta resistência dos moradores e ambientalistas por suposta ameaça à Reserva Ecolôgica Jardim Uchôa e ao manancial do rio Tejipio que passa no meio da reserva. O prefeito João da Vosta, com certeza, deve está atendo a esse grave problema da Cidade.

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Finalmente, depois de 25 anos de discurso dos governantes, o Sistema de captação, tratamento e distribuição de água de Pirapama está saindo do papel. Uma parte já foi inaugurada, e os primeiros problemas detectados. O sistema tem capacidade para atender boa parte da população do Grande Recife, inclusive reforçando outros sistemas menores de há muito em operação. A oba é gigantesca, consumiu milhares de tudos de ferro  e percorre distâncias enormes. Atenderá a Região por um bom tempo. Mas há uma interrogação dos moradores de lugares elevados, como as comunidades das URs -Ibura. Será que Pirapama vai resolver de uma vez o problema crônico de falta dágua nessas localidades? Será que vai haver substituição da velha tubulação implantada há dezenas de anos? Com certeza, esses canos antigos não suportarão a pressão produzida pelo sistema Pirapama. E o rodízio? E a falta dágua, que em algumas quadras dessas vilas chega ao cúmulo de espaço de 30/40 dias para abastecimento? E o sistema Muribeca, continuará mandando lama para as URs 06 e 11? Com a palavra, a Compesa.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

OPOSIÇÕES EM PE - UM SERPENTÁRIO

Em Pernambuco, as oposições não se entendem. Dissemos:oposições, no plural, para caracterizar bem esse amontoado de posicionamentos disformes, desencontros de correntes que em princípio deveriam ser convergentes, avalanches de críticas entre aliados, cada um pondo no outro a culpa pela desarrumação dos partidos que cada vez mais se acentua. Jarbas Vasconcelos e Sérgio Guerra mais parecem adversários ferrenhos que aliados de uma tal Frente Pernambuco Pode Mais. O candidato do PMDB a governador pensa horrores do senador coordenador nacional da campanha de José Serra e candidato a deputado federal. Por sua vez, o senador e candidato a deputado federal nessas eleições, temendo a derrota que se desenha no cenário local, não pouca o ex-governador. As coisas azedaram a tal ponto, que Jarbas em entrevista recente sugeriu que Sérgio Guerra declarasse logo sua adesão ao governador Eduardo Campos. Como assim? Sérgio não é coordenador da Campanha de Serra, que tem com base política em Pernambuco justamente o palanque de Jarbas Vasconcelos? E as farpas não ficam por ai. Raul Jungmann também não poupa muita gente. De perfil azedo, o deputado candidato a senador da Frente Pernambuco Pode Mais dispara em todas as direções; sabendo que poderá não mais voltar à Câmara nem terá nenhuma chance para o senado parece que já não se importa quem possa ser alvejado.

É triste observar como um grupo tão coeso nas eleições que derrotaram Miguel Arraes e elegeram Jarbas para dois mandatos sucessivos se digladie dessa forma. A sombra da derrota, certa e humilhante para gente tão pedante como essa ai, leva os integrantes do "pode mais" ao desespero. Como tem pouca farinha, cada um quer seu prato de pirão primeiro. `A exceção de Marco Maciel, reduzido à condição de dependente de Jarbas para puxar votos para sua campanha e dessa forma não desgrudando do ex-governador durante as caminhadas pelos bairros, nas oposições ninguém é de ninguém. Por esse clima de intranquilidade, o próprio Marco Maciel corre o risco de perder sua primeira eleição desde que concorre a cargos proporcionais ou majoritários. A perspectiva de queda vertiginosa de Jarbas nas próximas pesquisas de intenções de votos pode significar que o intelectual magérrimo pode ser arrastado na enxurrada política que varre as oposições de Pernambuco. Ai porque a "Pernambuco pode mais" parece um serpentário.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

MUNDO PÓS-MODERNO; QUE SACANAGEM!

                                         Emílio J. Moura

Não se pode afirmar com certeza que é assim. Mas é possível dizer com alguma cautela que pode ser assim. O mundo moderno nada tem de “moderno”. Aliás, o conceito de “mundo moderno” já foi revisto há um bom tempo. Desde meados do século XX se vem tentando “rever” os conceitos até então estabelecidos. E essas revisões, que contemplam praticamente tudo que se relacione com a cultura humana, estabeleceram o mundo pós-moderno. Nada do que a humanidade construiu durante centenas - talvez milhares- de anos, tem mais valor. Preceitos, costumes, regras, tudo isso caiu por terra. Vive-se hoje o mundo pós-ética, pós-moral, pós-casamento, pós-fidelidade, pós-história, pós-filosofia; pós-cultural. Isto é, a cultura dos nossos dias é outra. Ou seja: tudo hoje é pós.

Essa perigosa e radical conceituação de mundo pós-modernista cultuada desde os anos cincoenta do século passado na verdade tem sido a mola propulsora das mudanças ocorridas na sociedade desde então. Mudanças que de algum modo e sob certos aspectos trouxeram alguns benefícios a varias culturas, determinadas e setorizadas. Notadamente, no que se relaciona com a concepção de liberdade, direitos e dignidade. Propõe-se, com indiscutível proveito para a Humanidade o fim da exploração do homem pelo homem; prega-se com inestimável generosidade a superioridade do humano sobre o material, ou seja: do trabalho sobre o capital, o dinheiro. Sepultar-se-ia assim a cultura da escravidão, a negra que nos infelicitou durante o período imperial e a branca, que continua latente na sociedade humana de todas as culturas.

Mas, será que essa revisão histórico-cultural, patrocinada por certas parcelas do meio acadêmico e decantada pelas mais diversas formas de mídia de modo quase uníssona foi efetivamente benéfica para o ser humano? O tema é polemico; extremamente polemico. Primeiro, os benefícios dessa onda cultural só podem ser sentidos no mundo ocidental de inspiração européia e assim mesmo nem em todas as culturas ocidentais. Segundo, etnias de vastos continentes, com bases culturais seculares ou até milenares estão imunes, ou não foram afetadas determinantemente por essas reformas. Depois, em que sentido essas reformas trouxeram aperfeiçoamentos significativos para a sociedade humana, notadamente a ocidental? Melhoraram por aqui a cena social humana? Tornaram o ente humano ocidental realmente respeitável diante de seus pares? Libertaram o homem comum do jugo do poder imposto pela chamada sociedade organizada?

As duas primeiras frases deste artigo servem não apenas como início de abordagem de tão palpitante tema, mas sobretudo como resposta às perguntas formuladas no final do parágrafo anterior. O principio da liberdade acima de qualquer outro direito ou dever gerou a impunidade. As Lideranças, que legislaram sobre essas mudanças, conscientemente ou não deixaram tantas brechas no novo arcabouço político-institucional do mundo ocidental que acabaram sendo usadas por elas mesmas em proveito próprio e quase sempre em detrimento dos direitos de cidadania. Dos mais vulneráveis, é claro! E os postulados de igualdade, responsabilidade e solidariedade ficaram apenas no papel! A violência avassaladora domina a cena humana. A liberdade é exercida em forma de libertinagem. Pessoas se consideram com direitos ilimitados. De matar, de roubar, de agredir física ou moralmente; de constranger. E gente assim quase sempre fica impune. A Justiça – que justiça? – é um poder gerado teoricamente por princípios de alta capacidade educativa, regulatória e recuperadora dos indivíduos degenerados. Mas, apenas teoricamente! Talvez a razão esteja com Machado de Assis, em Dom Casmurro, quando sugere a troca de pacientes dos hospitais para doentes mentais por pessoas que estão em gozo de liberdade.

No mundo pós-moderno as mazelas humanas vão se acentuando. Ética, convivência conjugal, ordem familiar, respeito entre os seres humanos são princípios pré-já eram. E na era das viagens espaciais e da informática, o mundo .com tornou-se, na verdade, no mundo .sem: sem valores pessoais que dignifiquem o homem, sem ordem, sem justiça, sem respeito. Na esteira da onda que varreu os valores éticos conhecidos de tantas e antigas gerações sobraram a irresponsabilidade, a imoralidade, a impunidade e a lei dos mais espertos. Os porões de alguns filmes norte-americanos desnudam o mundo que de fato impera lá em cima, na cabeça das pessoas que guiam essa sociedade. É um discurso empolado, pregando a ordem e a disciplina que essas mesmas elites se encarregam de quebrar e desqualificar. A liberdade sexual, sem qualquer respaldo de conteúdo educacional, desmantelou as cabeças dos jovens. A promiscuidade entre os mais jovens acelera a proliferação de doenças sexualmete-transmissíveis e faz surgir problemas de saúde pública em pessoas cujas idades ainda não justificam o aparecimento de problemas dessa natureza. O desregramento é geral!

O mundo pós-moderno na verdade se transformou no mundo da sacanagem!

18.04.2009



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

POLÍTICA, MENTIRAS E TRAIÇÕES

O Guia Eleitoral e as inserções dos candidatos a governador e senadores vêm mostrando um lado bem conhecido das raposas políticas do Estado. Alguns candidatos acham que os eleitores são eternos alienados, e falam de "obras" que realizaram e das que "serão capazes de realizar" caso sejam eleitos. Marco Maciel, aquele bezerro que nunca se cansou de mamar nas tetas do poder (filho dileto da ditadura de 64) fala de Suape, como se fosse obra sua e de milhares de casas populares construídas ninguém sabe aonde nem quando; Jarbas Vasconcelos chama de "virtual" o governo de Eduardo Campos (não quer enxergar o canteiro de obras em que Pernambuco se transformou, principalmente na àrea do Porto de Suape) e mostra as "ações" que teriam sido executadas em seu governo: Aeroporto, Metrô, Refinaria e Estaleiro.
 O aeroporto e a linha sul do metrô foram começados no governo Miguel Arraes. O aeroporto é um dos casos típicos de apropriação indébita de autoria por parte de Jarbas. Jarbas apressou a conclusão da estação de passageiros, e deixou uma estrutura mais parecida com um circo que vasava fortemente com as menores chuvas. O metrô empacou durante os oito anos do governo Jarbas, e os gargalhos ali encontrados pelo governo que o sucedeu ainda hoje dificultam os trabalhos de conclusão da linha sul. A refinaria foi pensada já no governo Magalhães, mas só efetivado seu projeto dentro da programação do PAC, por iniciativa de Eduardo Campos. Quanto ao estaleiro, houve conversa e pouca ação na administração Jarbas, só saindo do papel e funcionando no gover do PSB. Jarbas não falou em Pirapama, projeto arrojado tirado do papel 25 anos depois e tocado por Eduardo Campos; a idéia original foi de Roberto Magalhães, não teve nenhum empenho do hoje candidato do PMDB quando governador. E as escolas da rede estadual de ensino? Jarbas "reformou" as escolas, construindo uma fachada-símbolo de sua administração. Só que as escolas começaram a desabar, e Eduardo, logo que assumiu, além de providenciar reformas verdadeiras na maioria dos estabelecimentos, teve que interditar 72 delas, para que não caissem na cabeça de alunos, professores e funcionários.
 No governo Jarbas assistimos ao assoreamento do berço do Porto do Recife e o sucateamento do mesmo. Por ação de Jarbas e sua trupe (Mendonça, Sérgio Guerra, Marco Maciel e outros), deixaram de ser instalados em Pernambuco uma fábrica de cerveja, uma montadora janonesa e outros empreendimentos. Essa gente, muito antes, já trabalhava contra Pernambuco por puro interesse político. Caso típico da planta petroquímica que seria a continuidade da Coperbo e poderia ter sido instalada no nascente porto de Suape, e acabou sendo levado para a Bahia; é aquilo ali que se chama Complexo Petroquímico de Camaçari. Tudo aquilo foi pensado e desenhado em Pernambuco. Que vergonha!  Políticos de Pernambuco "melando" o desenvolvimento do estado só porque esse desenvolvimento, se  ocorresse, traria com certeza dividendos eleitorais para o então governador Miguel Arraes e manteria o grupo que hoje forma uma oposição disforme, amorfa, e se digladia na areana politica em busca de votos longe do poder por um bom tempo. Outro dia falaremos do Jarbas Prefeito.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O combate às drogas no País é uma ação tímida. Não tem havido uma ação mais enérgica  para enfrentar esse grave problema que vem levando à miséria pessoas de todas as idades, de ambos os sexos. Pior ainda: tão utilizando crianças como distribuidoras das drogas, o que acaba transformando-as em usuárias.Até parece que há gente grande de rabo preso nessa questão.

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A prostituição infantil continua solta em todas as regiões do País. As declarações das autoridades constituidas de que estão combatendo esse flagelo parece um discurso ôco. As famílias menos desprovidas de bens materiais deveriam ser alvo de programas de concientização para cuidarem dos filhos menoes de ambos os sexos, pois é nesse clima de insuficiência econômicas e carências sociais de toda ordem em que vivem as famílias mais pobres que começa a cooptação e se dá o domínio  das  mentes e do corpo das infelizes vítimas.

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As prefeitura bem que poderiam melhorar as condições de higiene das periferias das cidades. Frentes de trabalho para consertar as tubulações de esgotos sanitários e domésticos (sempre estourados e correndo a ceu aberto), bem como construção de fossas nas regiões mais pobres teriam uma dupla utilidade: melhorariam o meio ambiente e ocupariam mão-de-obra ociosa sem qualificação; as própria comunidades fiscalizariam o trabalho.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

INTERROGAÇÃO AMBULANTE

A polêmica em torno da ida de Neymar para o Chelsea, da Inglaterra, pode ser encarada a partir de dois aspectos: o profissional e o ser humano.
Profissionalmente, seria interessante para o atleta continuar jogando no Santos por, pelo menos, mais uma temporada, ter a experiência de disputar uma Libertadores e amadurecer o seu futebol antes de ir para a Europa. Mas, como rejeitar a proposta de um dos clubes mais badalados do mundo, com rios de dinheiro e toda a pompa do Velho Continente? Nesse momento, entra o lado humano. Quem, em sã consciência, não aceitaria uma oferta de R$ 220 mil semanais?
Por outro lado, é necessário atentar para um fato. O empresário Wágner Ribeiro é o mesmo agente envolvido na negociação de Robinho para o Real Madrid há 5 anos atrás. A carreira (até então, promissora) não decolou tanto quanto se esperava e o craque passou longe do seu maior sonho: ser eleito o melhor do mundo. O que se viu foi o empresário forçando negociações e fazendo o jogador perder a credibilidade no mercado europeu. Será que Wágner Ribeiro tem um plano para a carreira de Neymar ou, mais uma vez, só pensa em engordar sua conta bancária?
De todo modo, o único lugar que eu não gostaria de estar é na cabeça da jovem revelação santista. O garoto de 17 anos deve, no momento, ter vários pontos de interrogação ao seu redor.
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Série B
O Náutico conseguiu um excelente resultado, Sábado, contra a Portuguesa-SP. A lusa é uma concorrente direta pelo acesso à Série A. Um dos grandes méritos do Timbu na competição é não perder pontos para esse tipo de adversário.
Já o Sport marcou ponto em Bragança Paulista, frente ao Bragantino. Não perder fora de casa é sempre um bom resultado na segundona nacional.
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Série D
O final de semana foi bom para Pernambuco. Santa Cruz e Central venceram em casa. Mas, as situações dos dois representantes do estado na 4ª divisão nacional são opostas. Enquanto o Tricolor só precisa de um empate para se classificar, a Patativa precisa operar um verdadeiro milagre no próximo Domingo, em Feira de Santana - BA.
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Basquete
Dia 28 começa o Campeonato Mundial da modalidade, na Turquia. Em breve, o blog vai analisar todos os grupos da competição e as chances do Brasil na mesma.

sábado, 14 de agosto de 2010

A MULHER QUE MORREU DE PAIXÃO

A MULHER QUE MORREU DE PAIXÃO


Emílio J. Moura

A casa era modesta, mas aconchegante. As pessoas que ali moravam eram simples, delicadas e de boa índole. O chefe da família era um senhor de meia idade. Trabalhava como torneiro mecânico numa oficina de consertos de carros. A mulher dele era simplesmente dona de casa. O casal tinha três filhos: Matilde, Marta e Miguel. Matilde trabalhava como balconista numa pequena loja de subúrbio; Marta vendia doces fornecidos por uma doceira da rua. E Miguel era marceneiro e trabalhava numa fábrica de móveis lá em Afogados. Família unida, passava os domingos e feriados reunida na intimidade do lar.

Perto da casa dessa família de hábitos simples morava uma outra, de costumes nem tão simples assim. A dona da casa, dona Rosa, trabalhava na antiga fábrica de cigarros Souza Cruz. A mulher era separada. Mas o marido, um mestre de obras, visitava a casa todo fim de semana. Chegava aos sábados à noite e só ia embora na segunda-feira de manhã. Direto para o trabalho. O ex-casal tinha hábitos estranhos que provocavam tititi na vizinhança, mas isso era um problema deles. Os filhos também eram três. Um deles, José Ramos, era adulto e fabricava peças de madeira num torno de oficina bem perto de sua residência. Os outros dois, menores e estudantes, eram Carmem e Cláudio. Os dois irmãos eram briguentos. Quando não arranjavam com quem brigar na rua, brigavam um contra o outro.. As queixas contra eles se repetiam com freqüência na porta da casa de dona Rosa.

Até aqui, nada de tão anormal. Exceto, quando se tratava de Matilde, que era loucamente apaixonada por Miguel. Só que o marceneiro não dava bolas para a comerciária. Ao contrario, ele nutria uma paixão contida pela garota do escritório da fábrica de móveis onde trabalhava. Que por sua vez arriava as asas pelo filho do patrão que era casado. Se é apropriado chamar isso de triângulo amoroso, o autor não sabe. Sabe-se, sim, que a expressão seria válida se os personagens desse drama informal tivessem envolvimento direto e consciente entre si. Não era o que acontecia. Matilde se insinuava para Miguel, mandando-lhe presentes que comprava na loja onde trabalhava. Em certos momentos era ostensiva em suas intenções. O rapaz nem aí. Foi quando a balconista começou a usar Zé Ramos para levar recados e depois bilhetes amorosos ao Miguel. O que não deu muito certo. O rapaz, já cheio com todo aquele assédio, começou a pilheriar Zé Ramos e não tardou a dar um fora em Matilde.

Apaixonada por quem a desprezava, Matilde, que era uma moça simples e recatada, passou a apresentar comportamento estranho. Aprendeu a fumar, o que fazia escondido dos pais. Logo, logo começou a beber, também escondido da família. E como uma desgraça puxa outra, não tardou a freqüentar uma gafieira, onde sob os efeitos do álcool e da nicotina, iniciou-se como dançarina. A essa altura, já afastada voluntariamente da família, estava morando com uma colega de trabalho com quem dividia o aluguel de um quarto. Paixão cruel, patológica. Apesar de levar uma vida de orgias, negara-se sistematicamente a sair com qualquer outro rapaz. Na sua cabeça só existia um homem: Miguel, agora noivo e de casório marcado. Talvez tenha sido a única mulher que deixou a mansidão do meio familiar, se envenenou com fumo e bebida, dançou em cabarés, mas não se prostituiu. Já sem condições de trabalhar e doente, voltou para a casa dos pais. Apesar do apoio familiar e do tratamento médico, não conseguia se libertar de sua paixão. Fraca e desiludida, calcinada pela vida, Matilde amanheceu morta em seu quarto externo nos fundos da casa, e em meio a muitas garrafas de vinho vazias, justamente na manhã seguinte ao dia do casamento de Miguel.

10.12.2007



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

DONA TEREZINA E SEU NÚCLEO DE VOLUNTÁRIOS

DONA TEREZINHA E SEU NÚCLEO


Você sabe o que é, o que faz e onde fica o NÚCLEO DOS VOLUNTÁRIOS DA UR-11?

Criado há 4 anos por dona Terezinha, e funcionando num anexo da Associação de Moradores, o Núcleo presta assistência às pessoas necessitadas. Ali se afere pressão arterial, mede-se glicose no sangue (HGT), se faz curativos, aplica-se injeção (só com receita médica); o Núcleo distribui cestas básicas a famílias cadastradas, doa enxovais a parturiente e recém-nascidos; doa roupas e calçados usados a quem necessite e coleta e doa a pessoas carentes aquela peça de sua casa (móveis) que não lhe serve mais. Dona Terezinha, com sua experiência de vida e vivência no meio médico e psicológico, aconselha, orienta ou encaminha para tratamento pessoas com algum tipo de problema dessas áreas. Mas, não é só: dona Terezinha trabalha voluntariamente junto a Defesa Civil do Município, acompanhando engenheiros e técnicos desse órgão em vistorias aos locais de risco; informa sobre as casas em risco de desabamento, pede colocação de lonas plásticas para proteger barreiras de deslizamentos. Pensa que é só? Dona Terezinha, com a ajuda da defesa civil, retira famílias dessas situações de risco, consegue auxílio-moradia para elas, encaminha pessoas necessitadas para o serviço social do Município, orienta idosos e deficientes sobre como adquirir aposentadoria, reclamar direitos e protestar contra abusos de autoridade.

Você quer ajudar dona Terezinha nesse trabalho? Então, vá ao Núcleo dos Voluntários e se ofereça para isso. Mas, lembre-se: o Núcleo é de voluntários; ali ninguém recebe dinheiro! Doe algumas horas de sua vida e ajude dona Terezinha a fazer mais pela comunidade. Você vai perceber o quanto é gratificante ajudar ao próximo.

A ESTRATÉGIA DE SERRA

A ESTRATÉGIA DE JOSÉ SERRA


Ainda a respeito da entrevista dos candidatos presidenciais à Globo, um detalhe chamou a atenção dos telespectadores mais antenados. José Serra joga todas as fichas disponíveis na tentativa de evitar a inevitável comparação entre os governos FHC e Lula. Serra quase que se apresenta como amigo de Lula, elogiando-o: "Lula fez muitas coisas boas", afirmou. Serra alfineta Dilma e enaltece Lula, numa desesperada tentativa de evitar o confronto aludido. Não será confronto entre dois administradores, será o confronto entre duas ideologias diferentes. O retorno ao conservadorismo das estruturas políticas do País que mantinha o Brasil atrelado ao FMI e aos interesses do capitalismo selvagem e dominador, sem representatividade diplomática no exterior ou a continuidade de um trabalho que renova essas estruturas e valoriza o ser humano, mobilizando a população na defesa dos seus direitos. Serra quer evitar esse confronto. Os marqueteiros de Serra criticam essas comparações, e caem numa contradição que diz bem da falta de rumos da campanha que orientam. Criticam Dilma, por "ser uma candidata arrumada de última hora", esquecendo que a ex-chefe da Casa Civil de há muito vinha sendo preparada para substituir Lula, Respondendo a um crítico que denunciou as falhas e erros do governo Serra em São Paulo, afirmam que não se pode criticar Serra, pois que ele "tem altos índices de aprovação em São Paulo". E qual presidente na história do País já teve o nível de aprovação popular do presidente Lula? A estratégia política de Serra tá levando o candidato do PSDB a uma armadilha: acuado pelas pesquisas eleitorais (do Datafolha, imaginem), ele elogia Lula e critica Dilma, não percebendo que atacar Dilma é interpretado pela população como uma ofensa a Lula.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

P O L Í T I C A

ELEIÇÕES - A GLOBO É PARCIAL


As entrevistas com os 3 principais candidatos à presidência da República realizadas pelo Jornal Nacional esta semana confirmaram o que todo mundo já sabia: quando se trata de mostrar a "cara" dos candidatos para o eleitorado, a Globo é parcial; ajuda sempre o que mais se identifica com o capitalismo brasileiro e internacional. Os apresentadores-entrevistadores do JN trataram de forma desigual os candidatos entrevistados. Assaram na chapa quente da parcialidade as candidatas do PT e do PV. E como se estivessem numa partida de basquete, deram uma "assistência" para que José Serra fizesse uma cesta. Não questionaram os erros do governo Serra em São Paulo; deixaram de lado o clima de violência e corrupção da política paulista comandada pelo PSDB. Não levantaram o problema das dificuldades vividas pela população durante o governo FHC que Serra integrou e ainda levantaram a bola de Serra para o problema das rodovias de SP, questionadas ultimamente pela própria Globo. Serra falava livremente como se fosse convidado para apresentar, sem contestação, sua candidatura e não para um confronto de idéias, como era de se esperar. Já com a candidata do PT, foram exigentes; pressionaram-na de todos as formas. Dilma Rousselff, não teve espaço para apresentar suas propostas; Bonner e Fátima apontavam os erros do PT e as falhas do governo; não deram espaço para que ela defendesse o governo que integrou, interrompendo-a a todo instante num fogo cruzado que tinha como objetivo desqualificar a candidata. Dilma também teve sua culpa nessa "fritada"; procurou ser ética diante da evidente ferocidade política dos entrevistadores. Com Marina Silva não foi diferente. Só que a candidata do PV, habituada a lidar com cobras peçonhentas da Amazônia, tentou se impor aos entrevistadores-caçadores de adversários, pedindo "por favor, me deixem concluir". E assim teve mais tempo para expor suas idéias. A intenção da Globo era evidente: vender ao telespectador a "maior experiência" do candidato Serra. A farsa da Globo e o cinismo de Serra vão ser aferidos nas próximas pesquisas eleitorais. É esperar pra ver.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

CANDIDATOS, EQUÍVOCOS E PESQUISAS

A semana ao que parece não será muito boa para alguns candidatos a deputado estadual. A estratégia de campanha é falha e a coordenação de campanha desses candidatos ou é míope ou tá apostando na burrice da população. Candidatos de oposição fazem caminhadas em áreas cujas pessoas são sabidamente dependentes dos programas sociais do governo federal. E em vez de cuidarem de suas próprias candidaturas, tentam impor nomes que se opõem à situação e fazem críticas ao governo Lula. Tentar impor a esses segmentos populacionais nomes como Sérgio Guerra, Jarbas Vasconcelos e José Serra é puro suicídio político.


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Tanto o cenário político nacional quanto o estadual são de uma clareza indiscutível. Em projeções políticas, sobretudo quando se trata de pesquisa de opinião, há uma coisa cientificamente comprovada: tendência. E desde o começo da campanha, mesmo na fase informal quando ainda não existe definição de candidaturas, as pesquisas mostravam as tendências do eleitorado para votar nesse ou naquele candidato. Há 6 meses as pesquisas indicavam uma diferença de 21 pontos percentuais em favor do candidato Serra. Mas mostrava uma tendência reversível. E a reversão foi se acentuando com o passar do tempo. Hoje, com a delimitação eleitoral já conhecida a candidata oficial tem 5 pontos percentuais favoráveis no 1º turno e 6 pontos percentuais a favor no 2º turno. E a tendência é crescimento de Dilma e queda de Serra. No Estado, a tendência em favor de Eduardo Campos era tão clara que Jarbas só entrou no páreo por exigência de Marco Maciel, que temia por sua não reeleição caso Jarbas não se candidatasse para puxar votos pra sua candidatura.

NÁUTICO 1 X 1 SPORT: ANÁLISE TÁTICA





O Náutico entrou em campo no seu tradicional 4-3-3 com Bruno Veiga, pela direita; Geílson, pela esquerda; e Cristiano, centralizado. No meio campo, Ramirez jogava na contenção de jogadas e Élton ajudava Giovanni na armação. O gol alvirrubro foi reflexo de como Élton conseguiu ser o fator surpresa. Estava dentro da área sem nenhuma marcação e só teve o trabalho de empurrar a bola para dentro do gol.

Já o Sport começou num 4-3-2-1. A linha de quatro jogadores defensivos tinha a incumbência de segurar o trio ofensivo adversário. No meio campo, Germano, Zé Antônio e Moisés tinham a obrigação de roubar a bola, enquanto Eduardo Ramos, pela direita e Elton, pela esquerda, faziam a bola chegar ao único atacante do time: Ciro. Interessante notar a variação que ocorria durante a movimentação da equipe armada por Toninho Cerezo. Quando o Sport tinha a bola, Moisés avançava pelo lado direito do ataque e, normalmente, encontrava um corredor. Quem começou a jogada do gol do Leão com um passe de calcanhar? Moisés, pela direita, é claro!

O segundo tempo do jogo teve uma maior posse de bola do Timbu. Porém considerar a expulsão como explicação para o fato é perigoso. O Náutico tocava a bola e envolvia o Sport desde o início da segunda parte. Nos 25 min. finais, a partida foi mais equilibrada porque Daniel Paulista (entrou aos 19 min. do 2° tempo) conseguiu fazer uma leitura correta das viradas de bola do meio-campo alvirrubro. Esse fato, obrigou o time vermelho e branco a chuveirar a bola na área a partir da intermediária, principalmente pelo lado direito, facilitando a vida dos marcadores rubro-negros.

O resultado não foi bom para ninguém. O Náutico jogava em casa e perdeu a boa diferença de pontos que mantinha para as equipes fora do G-4. Por outro lado, o Sport se distanciou mais ainda dos líderes e flerta perigosamente com a zona de rebaixamento.
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ABRE O OLHO SANTINHA
Não vi o jogo do Santa Cruz e, por isso, não posso falar do time. Mas, é inadmissível como um clube com a grandeza e a torcida que tem sofre para passar à segunda fase da Série D. O tricolor precisa se impôr diante dos adversários sem expressão que enfrenta nesse momento.
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O INTERIOR VAI MAL
As campanhas de Salgueiro, na série C e Central, na série D são reflexo da (falta de) preparação de ambos para disputar uma competição nacional. Os dois times foram montados de última hora e não souberam aproveitar o recesso da Copa do Mundo para adquirir um padrão de jogo aceitável.
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FALTA DE COMPROMETIMENTO
Até agora, a Globo não confirmou a transmissão da partida de amanhã entre Brasil e EUA, as 21h. A emissora pode deixar de mostrar a estreia de Mano Menezes e dos meninos da vila na Seleção porque não quer trocar o horário da novela Passione. Existe isso?!




domingo, 8 de agosto de 2010

GATA, CARENTE E MANHOSA

-Tenho uma pilha de papéis diversos espalhados diante de mim sobre minha mesa de trabalho. Tenho que separá-los, classificá-los, arquivá-los. Na verdade, estou perdido. Já não sei o que é que nessa montanha de notas, ofícios, relatórios, os cambaus! Estou estressado!
-Então, porque você não larga tudo isso ai e vem para minha casa ficar comigo esta tarde? Seríamos companhias agradáveis um para o outro. Eu ouviria seu filosofar de homem experiente, e de minha parte tocaria violão e cantaria doces canções para você!

Não nos víamos há uns dez anos. Conhecemo-nos na escola de administração. Ela dominava a área de organização e método. E se sentia encantava com minha experiência em tabulação de doenças e procedimentos cirúrgicos. Depois da formatura, nossos caminhos se modificaram e alguma coisa estranha se intercalou entre nós dois, e nos separou. Naquele começo de tarde eu havia retornado do breve almoço e recomeçado a arrumação daquela montanha de documentos que chegavam à minha mesa, às enxurradas, todo fim de mês. O telefone sobre meu birô toca. Atendo, e ouço sua voz. Levei algum tempo para assimilar aquele timbre de voz. Era de alguém que eu conhecia. Mas quem? Minha demora em falar a fez avivar minha memória:

“Então você já me esqueceu? Sequer se lembra da minha voz?”

“Débora!!! Quanto tempo! Por onde tu andas, mulher?” Ela riu, satisfeita com o enunciado do seu nome.

Conversamos brevemente sobre amenidades. Lembramos os bons momentos que passamos juntos durante aquele semestre em que nos encontramos; os almoços no hotelzinho de pé-de-escada, os encontros da turma no restaurante do Gregório às sextas-feiras. Essas coisas. Uma pane na central telefônica do hospital abortou nossa conversa. E eu continuei lidando com os meus papéis. Até me saturar, largar tudo aquilo em cima da mesa e ir para casa. Cheguei extenuado pelo trabalho e também pela inclemência do Sol que ardia lá fora. Mais cansaço mental do que físico. Para complicar, tinha certeza que o dia seguinte seria muito pior. Passei o muro, entrei como sempre pela porta lateral e fui direto para o terraço. Estava só em casa. Deitei-me sobre o chão do terraço. De sapato e tudo. A sombra projetada pela densa copa do jambeiro que existia no quintal e o friozinho do tanque d`água bem abaixo do piso propiciavam-me aquele clima agradável, me aliviando o sofrimento. Já quase cochilava quando o telefone tocou. Era ela.

-Você interrompeu nossa conversa...

-Não, a linha caiu, houve pane no sistema telefônico interno.

-Melhor assim!

Estranhei aquele contato. Ela me perguntou sobre os papéis, e eu respondi que aquilo ali era minha rotina de todo fim de mês. Débora perguntou por “ela”.”Se estava em casa”. Não, não estava, informei pra ela. Àquela hora estaria na metade do seu expediente de trabalho. Perguntou pelos meus filhos. Vão bem, respondi. O menor tem cinco anos, e está com a mãe: tem consulta hoje.

-Você tem um filho com cinco anos? indagou como que espantada com a informação recebida. E logo arrematou: “é filho dela?”

-Claro! Afinal, ela é minha esposa...

-Ela te enfeitiçou!

-Mas “ela” tem nome e sobrenome; você lembra, não é?

Débora não responde. Ouço através da linha sua respiração ofegante. Antes da conversa tomar outro rumo, lembrei de perguntar: “Como você achou o número do meu telefone?” De fato, nunca havia fornecido esse número para nenhum colega de turma. E ela não se fez de rogada: “Liguei para a diretoria do hospital, que em contato com uma funcionária do SAME chamada Nilza forneceu-me o número”. Depois de algumas trocas de idéias, tudo recomeçou.

-Mas você está fazendo o que sozinho em casa a essa hora? Renovo meu convite para você vir ao meu apartamento e passarmos junto esse resto de tarde e começo de noite. Afinal, ela só chega em casa lá para as onze horas da noite, não é mesmo? O Juninho não incomoda, ele está sempre entretido com seus brinquedos”. Juninho era o filho de Débora. Soube dele anos depois do curso em encontro com um ex-colega de turma. Num momento da conversa ao telefone, quando relembrávamos momentos divertidos durante as aulas, principalmente a de psicologia da professora de perfil jamaicano, Débora reclamou mais atenção de minha parte. Lembrou que era ela a colega mais afeita a mim, e que eu simplesmente a abandonei. E aproveitou mais uma vez a oportunidade para me convidar a ir ao seu apartamento naquela tarde.

Débora não era bonita, mas era agradável. Sempre morou só, embora sua origem de classe média alta. Bem mais moça do que eu, uns oito anos menos. Exalava um odor de mulher que sabe se cuidar. Moça educada, de finíssimo trato. Branca, dessas que o povo chama de “enferrujada”, se equilibrava em cima de longos saltos. Cabelos castanhos, naturalmente sedosos. Suas vestes eram sempre de tecidos finos; bem cortados e de costura esmerada. Não sei se ela mesma costurava suas roupas, pois sempre demonstrou habilidades quando desenhava modelitos para as colegas de turma que a abordavam a respeito de suas vestes. Nunca casou; nem namorado tinha. Sempre morou só, embora tenha conseguido o maior sonho de sua vida: ter um filho. Por pouco escapei de ter sido o pai. Mas naquela tarde Débora deixava transparecer pelo telefone seu estado de carência emotiva. E insistia para que eu fosse ao seu apartamento ali na Boa Vista. Claro que eu não estava disposto a atendê-la naquele pleito. E entre outras amorosidades, expliquei porque não iria:

-Largado como estou, chego em sua casa; ficamos sozinhos num ambiente fechado; esse seu perfume discreto que atrai como imã; esse seu jeito de gata e essa sua vozinha manhosa acabam me tirando do sério. É melhor não!





(Escrito na primavera de 1990 e digitado em 30.08.2008).