NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

MUNDO PÓS-MODERNO; QUE SACANAGEM!

                                         Emílio J. Moura

Não se pode afirmar com certeza que é assim. Mas é possível dizer com alguma cautela que pode ser assim. O mundo moderno nada tem de “moderno”. Aliás, o conceito de “mundo moderno” já foi revisto há um bom tempo. Desde meados do século XX se vem tentando “rever” os conceitos até então estabelecidos. E essas revisões, que contemplam praticamente tudo que se relacione com a cultura humana, estabeleceram o mundo pós-moderno. Nada do que a humanidade construiu durante centenas - talvez milhares- de anos, tem mais valor. Preceitos, costumes, regras, tudo isso caiu por terra. Vive-se hoje o mundo pós-ética, pós-moral, pós-casamento, pós-fidelidade, pós-história, pós-filosofia; pós-cultural. Isto é, a cultura dos nossos dias é outra. Ou seja: tudo hoje é pós.

Essa perigosa e radical conceituação de mundo pós-modernista cultuada desde os anos cincoenta do século passado na verdade tem sido a mola propulsora das mudanças ocorridas na sociedade desde então. Mudanças que de algum modo e sob certos aspectos trouxeram alguns benefícios a varias culturas, determinadas e setorizadas. Notadamente, no que se relaciona com a concepção de liberdade, direitos e dignidade. Propõe-se, com indiscutível proveito para a Humanidade o fim da exploração do homem pelo homem; prega-se com inestimável generosidade a superioridade do humano sobre o material, ou seja: do trabalho sobre o capital, o dinheiro. Sepultar-se-ia assim a cultura da escravidão, a negra que nos infelicitou durante o período imperial e a branca, que continua latente na sociedade humana de todas as culturas.

Mas, será que essa revisão histórico-cultural, patrocinada por certas parcelas do meio acadêmico e decantada pelas mais diversas formas de mídia de modo quase uníssona foi efetivamente benéfica para o ser humano? O tema é polemico; extremamente polemico. Primeiro, os benefícios dessa onda cultural só podem ser sentidos no mundo ocidental de inspiração européia e assim mesmo nem em todas as culturas ocidentais. Segundo, etnias de vastos continentes, com bases culturais seculares ou até milenares estão imunes, ou não foram afetadas determinantemente por essas reformas. Depois, em que sentido essas reformas trouxeram aperfeiçoamentos significativos para a sociedade humana, notadamente a ocidental? Melhoraram por aqui a cena social humana? Tornaram o ente humano ocidental realmente respeitável diante de seus pares? Libertaram o homem comum do jugo do poder imposto pela chamada sociedade organizada?

As duas primeiras frases deste artigo servem não apenas como início de abordagem de tão palpitante tema, mas sobretudo como resposta às perguntas formuladas no final do parágrafo anterior. O principio da liberdade acima de qualquer outro direito ou dever gerou a impunidade. As Lideranças, que legislaram sobre essas mudanças, conscientemente ou não deixaram tantas brechas no novo arcabouço político-institucional do mundo ocidental que acabaram sendo usadas por elas mesmas em proveito próprio e quase sempre em detrimento dos direitos de cidadania. Dos mais vulneráveis, é claro! E os postulados de igualdade, responsabilidade e solidariedade ficaram apenas no papel! A violência avassaladora domina a cena humana. A liberdade é exercida em forma de libertinagem. Pessoas se consideram com direitos ilimitados. De matar, de roubar, de agredir física ou moralmente; de constranger. E gente assim quase sempre fica impune. A Justiça – que justiça? – é um poder gerado teoricamente por princípios de alta capacidade educativa, regulatória e recuperadora dos indivíduos degenerados. Mas, apenas teoricamente! Talvez a razão esteja com Machado de Assis, em Dom Casmurro, quando sugere a troca de pacientes dos hospitais para doentes mentais por pessoas que estão em gozo de liberdade.

No mundo pós-moderno as mazelas humanas vão se acentuando. Ética, convivência conjugal, ordem familiar, respeito entre os seres humanos são princípios pré-já eram. E na era das viagens espaciais e da informática, o mundo .com tornou-se, na verdade, no mundo .sem: sem valores pessoais que dignifiquem o homem, sem ordem, sem justiça, sem respeito. Na esteira da onda que varreu os valores éticos conhecidos de tantas e antigas gerações sobraram a irresponsabilidade, a imoralidade, a impunidade e a lei dos mais espertos. Os porões de alguns filmes norte-americanos desnudam o mundo que de fato impera lá em cima, na cabeça das pessoas que guiam essa sociedade. É um discurso empolado, pregando a ordem e a disciplina que essas mesmas elites se encarregam de quebrar e desqualificar. A liberdade sexual, sem qualquer respaldo de conteúdo educacional, desmantelou as cabeças dos jovens. A promiscuidade entre os mais jovens acelera a proliferação de doenças sexualmete-transmissíveis e faz surgir problemas de saúde pública em pessoas cujas idades ainda não justificam o aparecimento de problemas dessa natureza. O desregramento é geral!

O mundo pós-moderno na verdade se transformou no mundo da sacanagem!

18.04.2009



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário