A bandidagem não tem mais limites. Quando acuada numa área do Rio de Janeiro, de São Paulo ou de outros estados logo se transfere para outros lugares. A forte pressão das autoridades não tem conseguido eliminar as quadrilhas que atacam delegacias, quartéis das forças armadas, carros-fortes, bancos, casas lotéricas e por ai vai.Neste final de semana tiveram a ousadia de invadir um hotel de luxo no Rio. Foi uma invasão acidental, pois os destemidos criminosos vinham de um festão lá na Rocinha e foram surpreendidos pela polícia quando retornavam para suas bases por uma avenida importante da antiga capital. Curiosamente, usavam coletes à prova de bala próprios da polícia e em bando usando motos se dirigiam às suas "comunidades". Os 10 bandidos presos dificilmente ficarão muito tempo na cadeia, a menos que alguns deles respondam a processos por ações hediondas e sejam assim alvo de protestos e pressão da sociedade. Caso contrário, logo mais estarão voltando às suas festinhas de arromba nas favelas pelas madrugadas. Também recentemente, um magistrado da cúpula do Judiciário de Sergipe foi alvo de tentativa de assassinato por bandidos armados; ele escapou, atirando e espantando os bandidos, mas seu motorista e segurança, um policial militar, morreu na ação dos bandidos. Em Alagoas, não faz muito, bandidos atacaram quarteis, autoridades e deixaram seu recado ao frágil sistema de segurança daquele Estado de que são um poder fortemente armado e estruturado para impor sanções a quem tentar obstacular seus caminhos.No Piaui, em Tocantins, no Pará e em outros estrados a bandidagem parece incrustada na administração pública. Acusações de vendas de sentenças, também feitas no Rio e em São Paulo, indicam que o Poder Judiciários desses estados está contaminado pelo virus da criminalidade.
Nada disso difere do que aconteceu não faz muito quando a Polícia Federal prendeu o banqueiro Daniel Dantas e realizou devassas em suas empresas. O banqueiro saiu da cadeia graças a medida protecionista (isso mesmo: protecionista) do ministro Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Aliás, Gilmar Mendes, quando estava "de plantão" no Supremo, interpretando ao seu modo a Lei, sempre concedia medidas dessa natureza beneficiando velhos criminosos conhecidos da sociedade.
Tudo isso leva a pensar que a podridão faz correr sua lama pelos subterrâneos do Poder Judiciário que absolve criminosos de colarinho branco que botam a mão no dinheiro público ou lezam o erário sonegando imposto e faturando em cima de empresas fantasmas. Enquanto isso, cidadãos que num ato de desespero para alimentar seus filhos se apoderaram de uma galinha de alguém mofam sem julgamento na cadeia, sem um advogado que os defendam ou cumprindo por anos penas que seriam de alguns meses, se fossem julgados. A violência é um mal que desnecessário que se multiplica em função da impunidade de uma lei cheia de brechas para escape de poderosos e espertos, mas severa demais para praticantes de pequenos delitos. No Brasil, o julgamento de crimes hediondos tem pesos e medidas diferentes conforme o poder econômico de quem os pratica. Se bacanas com trânsito nas altas esferas recebem um tratamento aparentemente punitivo; se presos, ficam na cadeia por pouco tempo, acabam soltos e quando muito com a obrigação de pagar a pena com trabalho alertnativo que ninguém fiscaliza. Quando pobres, o rigor da lei.
Cadeias superlotadas de pessoas pobres que poderiam cumprir suas penas fazendo trabalho de interesse público, como prestando serviços em áreas de higiene, limpesa de canais e outras mais. Com menor custo para a sociedade e certamente com efeito pedagógico superior ao que se consegue na cadeia.
Agora, com bandidos, assassinos cruéis, assaltantes desumanos, estupradores, ladrões do dinheiro público que poderia ser usado na saúde e na educação dos mais pobres e praticantes de crimes hediondos, para esses todo o rigor da lei. Sejam eles ricos ou pobres. É necessário que a sociedade continue vigilante, exigindo reformas da lei para adequá-la a essas necessidades de sobrevivência e apefeiçoamento das instituições públicas do País. Só assim veremos um dia o fim de ações de bandidagem como essas que relatamos acima.
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