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EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

domingo, 29 de agosto de 2010

O CASO SERRAMBI

Tem início nessa segunda-feira o julgamento dos kombeiros acusados da autoria dos crimes que tiraram as vidas de duas jovens de classe média alta: Maria Eduarda e Tarcila Gusmão. É um processo complexo e muito polêmico. As moças desapareceram na praia de Serrambi no dia 3 de maio de 2003 e seus corpos só foram localizados 10 dias depois, num canavial do município de Ipojuca, mata sul de Pernambuco.



As circunstâncias em que os crimes ocorreram talvez nunca possam ser esclarecidas. Há um verdadeiro cipoal de informações desencontradas que levaram o promotor do caso, Miguel Sales, a devolver por várias vezes à polícia as peças do inquérito. Os acusados pelos crimes, os kombeiros Marcelo Silva e Valfrido Lira estão presos. Nunca assumiram a autoria dos delitos. Persiste uma dúvida quanto à forma como foram conduzidas as investigações, que passaram pela polícia civil e depois tiveram o crivo da polícia federal. Em ambos os casos, as conclusões foram as mesmas. Os acusados eram os culpados.

O promotor Miguel Sales, que sempre detectou falhas no inquérito, foi afastado do caso. Há, na opinião de boa parte da população de Pernambuco, a impressão de que elementos anômalos e razões discutíveis viciaram a elaboração do inquérito policial e contaminaram o processo judicial. Alguns chegam a falar em "manipulação" de provas. Uma pessoa teria afirmado que ouviu uma confissão de pessoa que seria parente do "verdadeiro" criminoso, o qual, segunda a "testemunha", foi levado pela família para os Estados Unidos para livrá-lo da acusação.

Há, em todo esse rumoroso caso, indagações que precisam ser bem esclarecidas.

1) Por que os kombeiros nunca apontaram as pessoas que os contrataram para fazer o transporte dos corpos das inditosas jovens para o canavial? Essa atitude levaria a polícia ao verdadeiro criminoso, já que não seriam eles, os kombeiros os responsáveis pelos crimes.

2) Como explicar que os kombeiros são defendidos por advogados de grande renome nos meios jurídicos do Estado? Quem estaria pagando a esses advogados?

3) Por que o promotor Miguel Sales foi afastado do caso? Houve ingerências de natureza política na mexida das autoridades que investigavam o caso?

4)Por que o então secretário de defesa social, Aníbal Moura, em vez de cuidar do caso, centrava fogo no promotor Sales? O secretário chegou a acusar o promotor de "fazer jogo político" com o caso.

Indagações à parte, algumas dúvidas persistem no que tange ao que realmente aconteceu em Serrambi. Disputas entre familiares de uma das moças, onde razões diversas para explicar a conduta das meninas e os crimes só lançaram mais sombras sobre o caso; interesses políticos, brigas conjugais e razões econômicas foram ingredientes que igualmente atrapalharam a elucidação do caso; os irmãos kombeiros, ao que parece, não foram os autores das mortes das jovens; mas, eles, com certeza, sabem quem matou Maria Eduarda E Tarcila Gusmão. E desta forma, são coniventes. Aliás, Marcelo e Valfrido já possuíam antecedentes policiais, sendo que um deles respondeu processo criminal. Eles não são tão inocentes assim!

Seja como for, o resultado do julgamento é previsível. Os acusados serão condenados. Caberá à sociedade ficar vigilante, exigindo que as discussões na sala do júri considere todas as variantes do processo e encontre a saída justa e legal.

Finalmente, é indispensável que se diga que as jovens assassinadas levavam uma vida muito livre, e em algumas opiniões de pessoas mais conservadoras tinham conduta de "prostitutas". É cada vez mais imperioso que os pais cuidem melhor de seus filhos, principalmente das filhas, orientando-as, vigiando seus contatos e influindo mais responsavelmente na educação delas.

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