NAS COISAS SUPÉRFLUAS, LIBERDADE;

NAS COISAS NECESSÁRIAS, ORDEM;

EM TODAS AS COISAS, COMPREENSÃO.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ESQUIZOFRENIA EXISTENCIAL
Em encontro com a cúpula administrativa do Vaticano, o papa Francisco  destacou   hoje as "doenças"  que continuam presentes  na alta hierarquia do clero. "Doenças", no caso, são as atitudes  impróprias de bispos e cardeais que usam a Igreja para enriquecimento ilícito. Francisco alinhou uma série de impropriedades, dentre as quais citou a "esquizofrenia existencial". Seria uma conduta em que os bispos  estariam usando suas posições como se fossem imortais e estivessem, eles próprios, acima da própria dignidade da Igreja.


O documento lido pelo papa bem que serviria para advertir líderes de outras igrejas para a mercantilização da fé,  um processo no qual  eles se apropriam indevidamente dos altos recursos arrecadados  em dízimos, nas campanhas  evangelizadoras ou adquiridos através de ricas doações pessoais e empresariais. Líderes religiosos, através do mundo, ostentam alto padrão de vida residindo em mansões luxuosas, possuindo iates milionários, carros de linhagem top e outras impropriedades. Essas condutas  banalizam o espectro religioso e menosprezam a grande legião de seguidores de todas as igrejas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

  ESCÂNDALO DA PETROBRAS
A   LISTA  ESTÁ  INCOMPLETA

A lista de nomes de políticos beneficiados pelo escândalo da Petrobras vazada pela internet está incompleta. A declinação de nomes é fruto da delação premiada, instrumento usado pelas autoridades para conseguir  informações de infratores da lei  em troca de redução de suas penas, é mais uma das manobras dos políticos para encobrirem pessoas protegidas por interesses escusos. São os encarapuçados das elites que há décadas, para não dizer séculos, dominam e infelicitam este País. A citação do nome de Eduardo Campos não é surpresa para ninguém, mas a omissão de nomes de figuras de outros partidos protegidos pela grande imprensa engajada, não contribui para apontar à Nação todos os culpados pelo desvio do dinheiro público e mostrar o mar de lama que corre por baixo das nossas instituições.  O PSB sai beneficiado dessa manobra que poupou os demais integrantes do partido, inclusive a família Campos. O nome de Sérgio Guerra é uma ponta do nó que precisa ser desenrolado. Ninguém tem dúvidas da participação de Humberto Costa nos escândalos, como fica claro o beneficiamento de políticos de todos os partidos nesse  e em outros escândalos desvendados pela Polícia Federal, Ministério Público e Corregedoria Geral da União. Cadê os nomes dos demais partidos?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

RECIFE MODERNO, MAIS UMA JOGADA
Os mesmo picaretas que pagam propinas para ganhar  licitação das obras do governo federal  em empreendimentos  nas várias regiões do País estão à frente do projeto Novo Recife. As mesmas empreiteiras que se locupletam do dinheiro fácil que escoa pelo ralo da corrupção na Petrobrás e em obras viárias e de outros itens de infra-estrutura superfaturados e inacabadas Brasil afora se associaram para pensar, projetar e construir o projeto Novo Recife. Esse projeto, pretensamente  de caráter privado, vai ser mais um sangradouro dos cofres públicos que serão  acionados para salvar um empreendimento  que propositadamente entrará em processo de falência.  A convergência PSB-PSDB cheira mal. E o Novo Recife, cujos estrategistas estão intimamente ligados aos propósitos desses partidos, também.


Ainda vamos discutir  em outro momento outros aspectos do Novo Recife e seu impacto na  vida da Capital, mas, hoje e aqui, vamos dar umas pinceladas  sobre o que consideramos um direcionamento oficial das coisas que ocorrem no Recife antigo, principalmente, mas também em outros bairros. A queda na frequência  popular e os problemas de segurança desde  algum tempo registrados nas noitadas  do bairro-mãe da cidade  parece serem propositais. O comércio popular da cidade sofre quedas no seu faturamento. Mas os shoppings da região estão sempre superlotados. Principalmente, as lojas que atuam como âncoras  nesses centros de compra. A iluminação natalina  do centro do Recife é uma das coisas mais ridículas dos últimos tempos. Por que será?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

CORRUPTOS, SEUS AFILHADOS E OS GOLPISTAS
É preciso redescobrir o Brasil. As naus da empreitada de  Pedro Álvares Cabral agora são os computadores  do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça. E o Porto Seguro desta vez serão os caixas dois dos  políticos  de todos os partidos políticos, dos empresários do setor da construção civil - as antigas empreiteiras. Não vai mais ser possível encontrar "índios" nem selva virgem, pois os atores dessa histórias são os picaretas congressistas e os donos e diretores das grandes construtoras, encastelados em hotéis de luxo que ocuparam a selva já totalmente devastada.


Mas é indispensável que não se tente trocar  os personagens dessa tragédia nacional, confundindo  os corruptos  dilapidadores dos cofres públicos com dançarinos havaianos. Nem se aproveitem  os golpistas de plantão  para tirarem proveito próprio  da situação e mascararem as ações   investigatórias  que se processam no País no momento. Pseudos intelectuais empunham cartazes de apoio a um golpe militar, coisa que já não tem vez num País que amadureceu politicamente. E falsos adeptos da democracia também gritam palavras de ordem e pregam abertamente a insubordinação e apoio a uma ditadura que eles tanto almejariam no temor de perderem seus privilégios de descendentes de uma ordem social elitizada que durante séculos mamaram nas tetas do erário público de um País que está se renovando. Esses carregadores de cartazes - não de bandeiras, são afilhados dos agentes da corrupção, escondem um ou mais lados da gangue dilapidadora do dinheiro público e não querem solução nenhuma. Querem manter seus privilégios. São também corruptos e corruptores, com rabo preso aos interesses do sistema que dá as ordens às nossas instituições. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

Este ano você vai preferir um smartfhone em vez de um panetone . Vai trocar a calça social por um jeans, no lugar da camisa de mangas longas vai dar preferência a uma camisa estilosa com desenhos e frases que lembram clubes de baquete de universidades norte-americanas ou relembram Bob Marley. Em vez de de viagens tradicionais para visitar parentes, você vai preferir um passeio pelos shoppings da cidade com suas instigantes escadas rolantes... Nada de ônibus, a classe média agora tem carros. E os festivais do marco zero vão transformando o centro do Recife num imenso bar aberto, onde as brigas por causa de mulheres ou drogas vão se tornando cada vez mais frequentes. Essa ebulição social dos dias modernos se baseia num princípio revolucionário segundo o qual "nada é proibido". Ou seja: tudo é permitido. Viva a pós-modernidade!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sou de um tempo em que a ceia de Natal reunia o núcleo familiar depois das festanças na frente do barracão do engenho. E o réveillon era um momento íntimo da família cujos membros vinham dos lugares mais distantes para a casa do patriarca ou da pessoa mais idosa do clã, que no caso era meu pai. A mesa farta, no Natal, com frangos e patos assados e churrasco suíno cujas sobras eram regiamente distribuídas com os trabalhadores, que dificilmente tinham o que comer em casa. Na Virada de Ano, frangos recheados assados ao forno de lenha, risoto de frango, muita farofa amarela, bolos de massa de mandioca e de milho e um nunca ausente peru. Só que, à exceção do meu pai, ninguém gostava de peru mas sim do frango recheado de minha mãe, e mais uma vez as sobras fartas iam para  as famílias dos trabalhadores do engenho. Pouca bebida, uma taça para cada adulto, muita música extraída da sanfona, dança de roda, sapateado e a alegria varava a madrugada. Bons tempos que não voltam mais!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014


RABO PRESO NÃO ENTRA
Impressiona a fleuma com que pessoas cultas se engajam a uma luta que denominam Campanha Contra a Corrupção. O que impressiona é a contradição dessas pessoas. Pregam uma guerra contra a corrupção, mas são seguidores, ou defensores,  de grupos políticos corruptos. Ou essas pessoas não têm convicções ou são de alguma forma dependentes desses grupos corruptos. Gritam palavras de ordem contra um ou outro partido político, mas fecham os olhos para a depredação do patrimônio público através do roubo do dinheiro do contribuinte regiamente distribuído a banqueiros  falidos e  outros operadores do sistema financeiro, dos transportes , do controle das matas, rios e outros setores da vida pública. Esses atos , comprovadamente praticados pelos partidos que defendem eles não se preocupam em investigar.. Que lógica é essa? Ou, antes, onde está a lógica desse posicionamento político?  Intelectuais- felizmente, alguns - chegam ao extremo da contradição quando defendem  uma intervenção militar, mas dizem que não querem uma ditadura militar. Em que parte do mundo um golpe militar não resultou numa ditadura feroz? O que o Brasil tem é um sistema político corrupto, alimentado por todos os partidos políticos do país, sem exceção. A história recente da República mostra que qualquer que seja o partido  político que, neste sistema, chegue ao poder patrocinará o toma -lá -dá -cá  da corrupção.  Que tal iniciarmos já uma campanha de combate a corrupção, fazendo uma revisão constitucional, afastando  do Poder , dentr dos limites da legalidade democrática todas essas lideranças corrompidas e corruptoras? Isso será possível através de regra  severas que afastem da vida pública os atuais legisladores e executivos, mas também investigasse, processasse  e punisse   exemplarmente operadores dos órgãos superiores do Judiciário. Quem ai está disposto a se engajar nessa luta?



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O ESQUEMA DA CORRUPÇÃO BRASILEIRA
A imprensa brasileira capitaneada pela Rede Globo de Televisão todo dia dá destaque a escândalos registrados nos porões da administração pública brasileira.  Primeiro veio o chamado mensalão do PT, que levou muitos políticos para a cadeia. Agora é o escândalo da Petrobras, que levou a criação de CPI. Deu força a chamada delação premiada e mostrou um fio do novelo da política brasileira que precisa ser puxado para desenrolar  o nó do sub mundo de lama em que estão atoladas as instituições  dos Poderes da República. Todo esse noticiário veiculado  diariamente pelo Jornal Nacional não passa de encenação  manipulada   por interesses econômicos, políticos e partidários. A  grande imprensa , capciosa e afetada por esses interesses, ao apontar para um só partido com responsável pelas mazelas da política brasileira, impede que se denuncie todos os  outros  partidos e todos  os fatos que  envergonham  a vida pública do País  e se exponham todos os atores dessa tragédia encenada   ao longo de muitas décadas no palco das nossas instituições.


Não há um mensalão do PT.  O escândalo da Petrobras é apenas um de muitos outros que ocorrem na Portobras, no Ibama, nos setores farmacêutico,  automobilístico, para citar alguns. e que precisam ser investigados a fundo. Há sim um enorme esquema de corrupção  armado e executado pelos políticos de todos os partidos e pelos líderes e membros qualificados de todos os setores dos Três Poderes. O Congresso Nacional responde por um alto percentual desse esquema  de desvio de verbas públicas, pois graças aos senhores parlamentares o dinheiro que falta na saúde, na educação, na segurança,  na infra-estrutura, na geração de empregos e em outros setores básicos da vida nacional se esvai pelo ralo do financiamento particular de campanhas e do enriquecimento ilícito. Dos 594 membros do Congresso (513 deputados e 81 senadores) só uns 3 ou 4 - nada mais do que isso, se salvam da rotulagem de corruptos. Só uma  nova Constituição,  fruto de uma Ação Pública Popular, criada a partir das bases comunitárias, determinando e delimitando as funções de cada instituição dos Três Poderes da República poderia salvar O Brasil desse sistema corrupto que afeta todos os seus pilares. Essa medida, para ser eficaz, deveria, tornar inelegíveis os atuais membros do Executivo e do Legislativo nos três, degraus da hierarquia constitucional,  os que participaram das três últimas legislaturas e seus parentes até 3º grau, mudar o Código Cívil e as leis de execuções penais, tornando-as  capazes de punir severamente os infratores com o cumprimento integral das penas. Afastar essas elites carcomidas, e criar um novo quadro de elites a partir de uma juventude compromissada com os grandes interesses da Nação.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

 SAUDADE DE QUEM NÃO CONHEÇO (AINDA)
 Paulo Camelo

Antigamente era uma busca infinda,
era um olhar parado, sem saber por quê,
até que, um dia, eu te encontrei sozinha
e me acheguei, discreto, e, mesmo sem te ver,

sem nem te conhecer, e sem saber quem és,
abri meu coração - ou uma parte dele,
aquela que se mostra no primeiro olhar -,
soltei o meu falar, falei do meu viver.

Antigamente, estavas tu sozinha,
com olhar parado em frente a um monitor,
e assim, sozinha, tu te apresentavas,
lias mil conversas, vias mil sinais,

quando, uma vez, apareci a ti,
falando de poemas e de sentimentos
e invadindo a tela do teu monitor
sem nem pedir licença, sem dizer por quê.

Foi diferente essa apresentação,
estranho, inusitado o nosso conhecer
e, mesmo que estranho ele pudesse ser,
sem toques, sem olhares, sem sons de palavras,

caminhamos firmes nessa estrada aberta
que se apresentava, a indicar, sutil,
um mundo diferente, novo, palpitante,
embora que entre nós houvesse imenso mar.

Continuamos nosso conhecer,
a nos trocar carinhos, beijos, emoções,
enamorados, sem saber por quê,
de uma ilusória imagem digital.

E navegamos por caminhos mil,
ganhando mais amigos, dando mais de nós,
nessa infinita busca do amor maior,
amor que nos sustenta, que nos faz viver,

levando nosso EU para outros monitores
ao olhar atento de invisíveis TU,
um TU que era EU na volta dos sinais,
na miscigenação total do universo.

Mas nosso mundo longe da telinha
não se modifica ao toque de um botão
e, mesmo desejando o mundo navegar,
e encontrar amigos e trocar sinais,

a vida insiste em nos manter distantes,
nesse desencontro que entre nós persiste,
nesse vai-e-vem, nesse cai-não-cai,
e nunca mais te vi... e eu não sei por quê.

E aqui estou eu, nessa telinha branca,
a perscrutar, com ânsia, o meu “Notify”,
pra ver se apareces, uma vez que seja,
para eu te dar um “oi, menina, como estás?”.

Será que vou ter sorte desta vez?
Mas a saudade é tanta, é tanto o meu querer,
que espero um dia, nessa tela branca,
eu mate esta saudade enorme de te ve

Paulo Camelo, autor dessa poesia, é  médico  doutor em bacteriologia, membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores, meu antigo companheiro de trabalho na UFPE.

sábado, 29 de novembro de 2014

AINDA O CAIS JOSÉ ESTELITA
A história da Rua de Jangada e da Gameleira não se encontra descrita em nenhum compêndio de história. Consultamos historiadores, sociólogos e urbanistas do Recife e constatamos que só alguns  deles "ouviram falar". Quase todos ignoram que existiram esses povoados bem ali  pertinho do centro do Recife. Vivia-se na década de quarenta o fantasma da II Guerra Mundial. A preocupação das autoridades era a preparação para a defesa da cidade; todo esforço da região estava concentrado no estado de guerra. Faltavam alimentos, combustíveis, transportes, vida noturna. A cidade vivia às escuras pois se temia um ataque aéreo alemão a qualquer hora da noite ou pela madrugada. O carnaval  era realizado  durante o dia, pois não havia iluminação. Nada disso foi registrado, não havia liberdade para descrever o que acontecia na cidade. Não há registros dos grandes incêndios que destruíram parte da Rua de Jangada nem dos planos maquiavélicos para erradicar a Gameleira, onde vivia Cícero Brabo, uma das figuras mais importantes do mundo da marginalidade da cidade na época.

A pretexto de se instalar ali um matadouro, aproveitou-se um incêndio que dizimou a cidadela da Gameleira, se expulsou do local quem ali morava. Havia sim um matadouro ali na Cabanga. Ficava no terreno hoje ocupado pelo quartel do Exército que ali funciona. Mas o matadouro durou pouco. Fora mero pretexto para aterrar a área, dragando a maré. A terra foi depois entregue ao grupo Othon Bezerra  de Melo, que construiu um conjunto habitacional para seus trabalhadores.  Se você não leu nada a esse respeito, então não conhece a história da Colônia Z1 de Pescadores, cuja sede - um prédio de várias salas onde os pescadores se reuniam para discutirem seus problemas,  se divertirem em seus programas dançantes, fazerem a partilha do dinheiro da pesca oficial, já que a pesca informal, de maior porte, era patrocinada por ricos proprietários de barcos e grupos de jangadas  que controlavam a  distribuição do pescado pagando ali mesmo na praiinha o que cabia a cada pescador. A política social de Agamenon Magalhães, através do Serviço Social Contra o Mocambo (SSCM) criado pelo interventor para impedir a presença de moradias de pessoas pobres nas imediações da Cidade, funcionava como um funil. Só alguns tiveram acesso às casas construídas pelo SSCM, a maioria foi empurrada para os morros. A intenção de Agamenon era empurrar os retirantes da seca de volta para o interior, mas como fazer isso, se lá não existia alimentos, sequer água? Milhares de pessoas foram se abrigar em mangues do Pina, criando as favelas do Bode e do Jangadeiro. Ou se instalaram no areal onde hoje fica Brasília Teimosa ou no Coque, que era na verdade três ou quatros favelas diferentes. Essa política de exclusão está implícita no programa Novo Recife. Voltaremos ao assunto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

      CAIS  JOSÉ  ESTELITA
MAIS UMA JOGADA  DAS ELITES
O  mini documentário CIDADE ROUBADA recém-lançado na internet pelo Movimento Ocupa Estelita é apenas um retrato tímido do que realmente está por trás do projeto Novo Recife, de iniciativa das grandes empreiteiras  e chancelado pela prefeitura do Recife. Os líderes desse movimento talvez ignorem as atrocidades  já praticadas  nas imediações do Estelita pelo poder público e por grupos empresariais contra as famílias de pouca renda da cidade do Recife. A Rua de Jangada e a Gameleira eram povoados de pescadores, trabalhadores avulsos, biscateiros, retirantes da seca que calcinou  a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão de Pernambuco e do Nordeste a partir da década de 30. A Rua de Jangada tinha segmentos de pescadores, intermediários da venda dos produtos da  pesca, trabalhadores especializados e resíduos de um sítio histórico oriundo de algum baronato que ali existiu. A Gameleira era um povoado que existia entre a usina do saneamento da Cabanga  e os limites da linha do trem, puxando para a beira da maré. Eram milhares de pessoas que fugiram da seca e se localizaram em beira de mangue e alagados onde encontravam  mariscos e siris que lhes matavam a fome. Aproveitando o estado de emergência então  vigente na Capital devido a II Guerra, terras públicas foram fraudulentamente encampadas por particulares influentes, que se encarregaram de expulsar de suas casas todas as famílias que habitavam a área.

O projeto Novo Recife não é diferente. Reedita as mesmas práticas fraudulentas realizadas na área na década de quarenta. O objetivo do projeto é ampliar os espaços para as elites viverem ainda com mais conforto e bem distante da plebe. Na visão das elites, inclusive desse segmento besta que só cresceu nos últimos dez anos por conta dos programas sociais do governo, pobre só serve para ser porteiro, arrumadeira, cozinheiro, lavadeira, etc. Pois é, mais uma vez  as elites invadem uma grande área pública para implantar projetos que só interessam às empreiteiras e  aos segmentos mais ricos da população. A prefeitura do Recife não poderia ter vendido (se é que realmente vendeu) o terreno do antigo Chupa. Aquilo ali é área público, formada por aterro por dragagem de áreas de mangues e alagados financiada pela União. O Novo Recife é uma violentação do principio do uso público de áreas públicas. Astutamente, idealizadores do Novo Recife procuram pessoas inocentes lá do Coque e adjacências  para alardearem que o projeto abrirá muitos empregos. Isso só ocorrerá na fase da construção civil; depois, os trabalhadores serão dispensados. Moradores do Coque, que se acautelem. Depois do Novo Recife, virão novas edições do programa e  o Coque poderá ser transformado em  eixos marginais, grandes e largas avenidas em meio a espigões onde só terá vez quem for elite. Nenhuma ZEIS suportará o rolo compressor do capitalismo  desumano sedento de lucros.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

PRECISAMOS CONHECER A FORÇA DOS MUNICÍPIOS
Os municípios são as células  que dão forma e consistência a Nação. É das comunidades que surgem os projetos estruturadores  dos estados  que conforme a força produtiva dos seus municípios,  podem ser grandes ou pequenos do ponto de vista econômico, político e social. E os estados, como entes federativos, tornam um País pujante ou medíocre. É nos municípios onde se criam a força de trabalho e os centros de tomadas de decisão. Pois é da articulação dos edis de uma região que surgem as decisões capazes de alavancar o desenvolvimento dessa região e influenciar definitivamente no melhoramento econômico e social  dos estados e do País.

Daí a atenção que se deve dar aos líderes políticos  dos municípios. Porque a administração da coisa pública começa primeiro nos municípios, o que equivale dizer que a qualidade dos líderes nacionais depende da capacitação dos líderes municipais. As eleições mais importantes, portanto, são as travadas no âmbito dos municípios. Maus vereadores serão maus deputados e péssimos legisladores. Maus prefeitos serão péssimos governadores ou presidentes. É nos municípios onde ocorrem as maiores falcatruas com o dinheiro público. Falta verba para a educação, para a saúde, para vigilância, entre outros. O dinheiro dotado para essas finalidades  escorre pelo ralo da corrupção. Vereadores formam cartéis que só permitem aprovar projetos do executivo se lhes for paga uma propina, um dinheirinho extra que não é contabilizado, não consta de nenhuma prestação de contas. Prefeitos agem da mesma forma.  Prefeitos lesam a eceita Federal, a Previdência Social , o FGTS, e outros órgãos de fiscalização e arrecadação e com suar artimanhas maquiavélicas  enganam os Tribunais de Contas. Ainda vai decorrer muito tempo até que o povo se conscientize dessa realidade. E comece a colocar o trem na linha.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

           DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Você têm os olhos azuis ou verdes? Seus cabelos são loiros? Então, você é da raça branca, aquela que aportou aqui no Brasil vindo da Europa. Não tenha tanta certeza disso! Algum ancestral seu foi um negro. Na senzala, os donos de escravos escolhiam as negras mais bonitas e as levavam para a cama. Os filhos dos senhores de engenho e homens de negócios com negras escravas ficavam na senzala.  As índias não escaparam ao apetite dos poderosos da época. E negras, índios e brancos se entregaram  numa sucessão interminável  de cruzamentos  que resultaram na formatação de uma raça mista a se espalhar pelo Brasil afora. Mas, essa história não teve nada romântica, como pretendeu insinuar mestre Gilberto Freyre em sua vasta  e admirável obra. Houve, com forte conotação   perversa, a tentativa de demonstração do pretenso espírito de superioridade de uma   raça. O estigma da escravidão perdura até aos nossos dias, quando a mulher negra é vista como símbolo de evocação sexual, é discriminada no trabalho e nas ruas. O homem negro também continua discriminado por uma sociedade pretensamente superior. Embora legalmente haja igualdade de condições para brancos e pretos, não é isso que acontece na prática. Há, há na verdade,  dois brasis, um dos "brancos" e outro dos pretos. As elites brasileiras têm uma enorme dívida moral, social e econômica para com a parte da sociedade de pele pigmentada de escuro.      

A discriminação contra os negros foi veladamente ferrenha a partir do fim da escravatura. Hoje, há um clima de hipocrisia reinando nas relações de grupos sociais que têm que conviver por força da sociedade que se formou com a miscigenação. Felizmente, grupos sociais reconhecem que fazem parte desse contexto racial e por conta desse reconhecimento procuram criar condições para a ascensão  social dos afro-descendentes. Mas isso, no âmbito geral, não foi dado por gentileza.   Foi conseguido com muita luta, sofrimento, derramamento de sangue   e sacrificio da própria vida de lideres daqueles que se rebelaram contra o trabalho escravo ou contra a perseguição imposta aos negros e seus descendentes pelos donos do poder. Quando dissemos que os brasileiros de olhos azuis ou verdes não tenham tanta certeza  de que são brancos, é porque nas veias de cada um deles corre o sangue que veio das senzalas, numa miscigenação ampla e irretorquível. Somos, todos os brasileiros, filhos dessa miscigenação que forma esse enorme e multicolorido painel  da Raça Brasileira.

Neste dia, referenciemos a figura de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta contra  a opressão dos escravos e lembremos nomes de brasileiros que deram continuidade a essa luta. Mais do que isso, relembremos nossos laços com a África e respeitemos os costumes dos nossos ancestrais, dando espaço para a manifestação de sua cultura ampla e difusa, não esquecendo que esse é um movimento em ascensão continua. Discriminação de raça, preconceito de cor  ou concepções religiosas  já são timbrados na lei como crime.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

FAXINANDO O BRASIL
O  Brasil passa por uma tempestade política, econômica e social. Por termos uma imprensa livre e instituições fortes estamos vendo serem desvendados escândalos nas três esferas do Poder, que em outras situações  seriam jogados para debaixo do tapete. A  sujeira é tamanha, que o tapete estufou e os podres ficaram à mostra. Temos uma Polícia federal que a tudo investiga, uma Controladoria Geral da União que manda investigar a todos.  Um Ministério Público atento e atuante. Nunca dantes se viu empreiteiros na cadeia, doleiros e lobistas terem suas vidas devassadas.  Mas tudo isso ainda é pouco em face do muito que se tem para investigar, passar pelas barras dos tribunais e  seus responsáveis terminarem atrás das grades. Tem que se quebrar o sigilo bancário e telefônico de presidentes, tesoureiros e líderes de todos os partidos. É indispensável investigar toda essa gente. Tem que se quebrar  a couraça que protege políticos de partidos das elites, como PSDB, PPS, DEM e todos os demais. É preciso apurar, e mostrar para o público, a bandalheira que foi  o apadrinhamento de banqueiros falidos no governo FHC, quando 51 bilhões de dólares foram dados a esses banqueiros, os bancos faliram e nenhum centavo foi devolvido aos cofres públicos;  desengavetar processos dessa época e publicar as maracutaias  praticadas por quadrilhas chefiadas  pela filha de  José Serra, então ministro do planejamento. Ela e a mulher de Daniel Dantas, abriram dezenas de empresas de fachadas no exterior para "lavar" o dinheiro que era desviado dos cofres públicos. Onde estão esses processos, abertos pelo MP na época, que FHC  silenciou? É um volume de dinheiro bem maior do que o desviado com o chamado escândalo da Petrobras. E ainda falta prestar contas do dinheiro  (coisa de 8 bilhões de dólares) disponibilizado pelo DIRD para despoluir  a represa Billings, que seria 4 vezes maior do que a Guarapiranga, mas que nem as autoridades paulistas sabem sua real extensão, que abrange três municípios da Grande São Paulo. Sem falar, que o dinheiro também serviria para sanear o rio Tietê. Foi recolhido pelo banco por falta de projetos com essa finalidade ou que destino tomou? E ainda falta investigar a Eletrobrás, a Portobras e o setor automobilístico.


Há um mar de lama correndo por baixo das instituições dos Três Poderes. Drenar  essa lama é passar o País a limpo, sem deixar  nada nem ninguém de fora. Não importa quem ficou rico com o dinheiro público, terá que devolver; pouco importa a que partido pertença quem faz parte dessa podridão, terá que ser investigado, julgado e punido. O Poder Executivo está sempre na mira, mas não se pode esconder a fedentina que indica podridão que vem dos porões do Legislativo e do Judiciário. No Legislativo, políticos derrotados nas últimas eleições não perdoam sua incapacidade de antever um resultado eleitoras, e como vingança tudo fazem para desestabilizar o governo. No Judiciário, juízes e ministros togados vendem sentenças e contribuem para a baderna se alastrar. No Supremo, ministro que gritava contra o desvio de verbas "que iriam beneficiar as criancinhas",  mora  no exterior, em ambiente paradisíaco cuja  casa tem  torneiras de ouro, puxadores e pegadores do mesmo metal precioso. Algo, casa e luxo, incompatível com os vencimentos que recebia do tesouro nacional. Não é pra passar o Brasil a limpo? Então, passemos o rodo em toda sujeira escondida atrás de fibras, papelão, lata ou ouro.

sábado, 15 de novembro de 2014


MENINA  MIMADA
Menina mimada, de voz sussurrante e sensual
Que gostas de fazer amigos e depois descartá-los
Que vives tua vida de gente fina, educada
E perdes teus dias nos desvãos dos sonhos.
Menina mimada, de vida sofrida por teimosia,
Que adoras trabalhar  esquecendo que trabalho
Se faz pra viver e não se vive pra ele.
Que adoras aventuras, ao sabor  do acaso.
Menina mimada, que vives da moda,
De perfumes,  roupas novas, bolsas e sapatos  altos,
Esqueces que a vida é boa de se viver
Quando as coisas mais simples  nos cercam.
Menina mimada, que quase tens o mundo aos teus pés,
Te tornaste rebelde  e queres impor tua vontade.
A vida, menina, é um tesouro que se pode desfrutar
Quando se vive  em contato com a natureza,
Sem se escravizar  aos costumes de hoje:
watshapp, haestag, instagran e outro meios
Apenas te afastam dos livros, da cultura que deve te alimentar.
Menina mimada, de tantos novos amigos, angariados cada dia,
De tanto valorizares esse teu preciosismo, desdenhar  das pessoas,
Acabarás sem amigos fiéis, isolada, sozinha.




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

UM PINGO DE HISTÓRIA
Estudou demais ficou doido. Era o que se ouvia dizer nos meus tempos de criança. Mas nem todo "doido" é louco de fato. Assim, é que me lembro de Zé da Lua, um homem  velho rústico que vivia quase nu, apenas uma calça que só trocava quando não podia mais usar. Filho de ex-escravos, jamais conheceu os pais. Ainda criança foi expulso da senzala onde nascera, pois falava muito, dizia coisas imperceptíveis para os iguais de infortúnio, mas bem entendidas pelo senhor de engenho. Quando chegamos ao engenho, ele já lá morava desde a infância. Não tinha tarefa fixa, pois ninguém confiava que fizesse alguma coisa. Todos os tomavam por louco. Morava numa choupana lá dentro do mato. Em seu barraco não faltava  alimentos levados por pessoas que o procuravam para ouvir preleções e previsões sobre o futuro. Nunca recebera um tostão como pagamento. Aliás, achava que dinheiro "era coisa do diabo". Quando em época de escassez, de seca, a comida dele ia da casa-grande. A ordem do administrador-geral, seu Sida - meu pai, era para que o negro velho, de dentes fortes e longos, tivesse a proteção e o respeito de todos. Zé da Lua, diziam os mais antigos, sempre se recusou a executar qualquer trabalho que lhe fosse imposto.
Diferentemente das histórias de zés da lua que tenho ouvido falar - puro conto da carochinha, o personagem que conheci  na minha infância era real, tinha funções fisiológicas e aptidões mentais e psicológicas. Sem nunca ter frequentado escola alguma, riscava no chão desenhos que só depois se veio a saber serem mapas de chuvas. Zé da Lua verberava contra o coronel - usineiro, os senhores de engenhos, os antigos capitães de campo, os controvertidos capitães do mato e até contra os administradores de engenhos. "É uma laia só", repetia sempre. Pois o homem analfabeto, negro e paupérrimo era mais do que um visionário, era um sábio. Advertiu que ia ter "uma tarde de escuro", e ninguém se ligou nele quando um eclipse total do sol em fins dos anos 30 transformou a tarde numa noite  profundamente escura, espantando os passarinhos que voavam às pressas para a mata., fez repicarem os sinos da matriz e levou as mulheres mais idosas a se ajoelharem e rezarem em altos brados esperando o fim do mundo. O Dr. Leopoldo, proprietário das terras onde meu pai trabalhava, apesar dos ataques de Zé da Lua aos poderosos da época, costumava  parar para ouvir Zé da Lua dissertar sobre a vida. Zé da Lua falava que "até 1900 viverás, mas não chegarás aos 2000". Zé da Lua Também afirmava, como numa  aparente contradição, que quando "os números se cruzarem será o fim de tudo". Só recentemente é que se pode avaliar a sabedoria do negro que costumava ficar sentado no lagedo observando o luar. O início desse século trouxe muitas dúvidas sobre o futuro da humanidade e em dezembro de 2012, só se falava no fim do mundo no dia 21. Na verdade, nessa data, os Maias comemoravam o fim de um ciclo de 5.200 anos de sua história. Comemorações que não se limitaram à América do Sul, mas também foram vistas na Austrália e outros países da Oceania, na  África  e Ásia. Uma catarse coletiva da Humanidade?


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

  UM OLHAR SOBRE AS COISAS
A vida vai caminhando de mansinho. Sem sustos nem pulos. A Natureza é pródiga. Oferece  calor, luz, ar, água, matas, frutos, raízes,  amêndoas, folhas, animais, montanhas geladas ou cobertas de densa vegetação. Grandezas  essas que nos servem de alimentos,  recompõem nossas energias, refrigeram nossos corpos, e tudo de graça.  A necessidade de abrigo levou o homem a construir casas. O aumento vertiginoso da população  exigiu a ampliação dos campos de produção  de alimentos e a formatação das comunidades, que foram se expandindo até formarem as cidades de hoje. A ciência, uma invenção  pensada pelos filósofos mais antigos, mudou de mão e foi se especializando. A tecnologia, uma ferramenta da ciência, criou condições para o aparecimento de uma multiplicidade de concepções ou invenções que melhoram a vida das pessoas, facilitando as comunicações, diminuindo as distâncias físicas e tornando a Via Láctea um espaço possivelmente navegável. Alimentos, livros, veículos, idéias... tudo  foi surgindo como num toque mágico.
Antoine Lavoisier , um sábio francês, afirmou, todavia, que "Na Natureza nada se cria, tudo se copia,  nada se perde, tudo se transforma". O mérito dessa afirmação põe em xeque o orgulho intelectual do homem, que acha que tudo pode.  As leis naturais, que a tudo presidem, atuam com eficácia na condução dos fatos físicos, químicos  e biológicos. Quando o homem tenta mudar essa lógica se dá muito mal. Agride a Natureza, que reage de forma avassaladora. Os acontecimentos meteorológicos de hoje e de sempre e os fenômenos que têm acometido a raça humana atestam isso; dão nota positiva a Lavoisier. As mazelas morais que vitimam a sociedade são um efeito desse princípio. Ao tentar imitar a Natureza, o homem, vaidoso e orgulhoso, a coloca contra si. Todas as culturas conhecidas reverenciam a Natureza; o homem, de espírito conservador, mas acima de tudo astuto e concentrador, quer imitar a Natureza que o criou.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LITERATURA DE CORDEL
         (JOÃO GRILO)
            
João Grilo foi um cristão      
Que nasceu antes do dia
E morreu depois da hora
Pelas artes que fazia
Nasceu de sete mês
Chorou no bucho da mãe
Quando ela pegou um gato
Ele gritou: não me arranhe
Não jogue nesse animal

Que você talvez não ganhe
João Grilo foi à escola
Com sete anos de idade
Com nove ele saiu
Passava quinão nos mestres
Era uma temeridade
Chamava todos a atenção
             ......
Um dia a mãe de João Grilo
Foi buscar água a tardinha
Chegou um padre pedindo água
Nessa ocasião não tinha
João Grilo disse: "só tem garapa"
O padre perguntou de "onde é"
João Grilo respondeu logo: 
"É do engenho Catolé"
O padre bebeu e disse: "que garapa boa"
João Grilo respondeu:
"beba mais seu padre, não precisa acanhamento,
Essa coité seu vigário é de mamãe mijar dentro".
 (Compilação; ficamos devendo nome do autor, que publicou o folheto nos anos 40)

NOS  TEMPOS DA MINHA INFÂNCIA
Sou do tempo do cangaço, de Antônio Silvino e Lampião
Dos engenhos de açúcar  e das usinas dos coronéis
Das matas, onde as guaribas espantavam os viajantes
Dos bandos de capivaras , das onças, lontras e jacarés
Quando canários e rolinhas em revoadas inebriantes
Iam comer o abundante alpiste nos campos abertos do lagedo
Sou dos tempos antigos  do bonde, do barulhento trem Maria Farinha
Que me levavam até  Maceió, passando por Palmares...
Sou dos bons  tempos de antanho, dos exóticos  hidroaviões
Descendo na bacia do pina; da época  do zepelim
Pousando acorrentado no campo do Jiquiá
Sou dos tempos do malassmbro, do zamurim e do papafigo
Da mula sem cabeça e  da porca dos cem porquinhos
Sou dos tempos dos mascates e do amolador de tesoura
Do algodão doce e do pirulito, do sorvete raspa-raspa
De mel de essências cozido servido em taças ou copos
Sou dos  bons tempos do samba, gravado nos bolachões
Discos com uma música em cada lado   quando se trocava a agulha
Para mudar de faixa; do auto falante corneta e passa-discos ruidosos
Enfim, sou dos tempos em que as vovós mandavam e desmandavam
E  de tudo, que  tão belo, parecia um real conto de fada.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

TRÂNSITO, MOBILIDADE, DESORDEM
Andar de carro por qualquer via do Recife e do núcleo central da Região Metropolitana do Recife (RMR) é um  exercício de paciência e um teste de educação. Se você precisa chegar ao trabalho, ao supermercado,  à escola, ao consultório ou hospital  na RMR saia de casa com antecedência de algumas horas. Em alguns casos, e em determinados horários, você gasta mais tempo na viagem do que no seu expediente ou local de atendimento. A cidade estreitou - e  vai se estreitando a cada dia  em face  do grande número de carros particulares  circulando  nas artérias  do entorno Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda. A situação das pistas de rolamento também não ajuda.


Para piorar a situação, motoristas mal educados  desrespeitam até as minimamente aceitáveis leis de trânsito. Dirigem em alta velocidade, fazem ultrapassagens arriscadas, inclusive pelo acostamento que usam como se fossem faixa de rolamento. O aperto no trânsito incomoda as pessoas, prejudica a mobilidade urbana e demonstra a incapacidade dos gestores municipais e estaduais para aplicarem  os dispositivos do Código de Trânsito Brasileiro. Leis mais duras, que doam no bolso dos condutores mais recalcitrantes farão que eles pensem um pouco antes de praticarem as loucuras que fazem no trânsito, e até recordem os princípios básicos de ética ou da simples educação doméstica que provavelmente aprenderam na escola ou no lar. O que não pode é continuar essa desordem que a todos prejudica.

sábado, 1 de novembro de 2014


                              TRIMESTRE DE RELIGIOSIDADE

O calendário religioso desse último trimestre do ano apresenta, como sempre soe acontecer,  opções para todos os gostos e crenças. Em outubro, tivemos manifestações religiosas e culturais ligadas aos cultos indígenas de matriz africana, aos cultos afro-brasileiros e aos cultos evangélicos de muitas denominações. Em novembro, que hoje se inicia, ocorrem as seculares manifestações católicas do Dia de Todos os Santos, que antecede o Dia de Finados, no dia dois. Dia dois, de romarias à Juazeiro do Norte para homenagens ao padre Cícero. Nesses primeiros dois meses do semestre, também houve manifestações dos espíritas, uma legião que não tem culto e mistura ciência com religião. Até o fim do ano, teremos outros movimentos religiosos que culminarão com as festividades do Nata. Essa diversidade cultural é importante para a manutenção da Paz, pois a inexistência da religião única ou de um Estado Teocrático representa a certeza de um clima de liberdade no Ocidente, uma unidade social  dentro da multiplicidade de opões.

Boa noite.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

(DESEN)CANTO
Não tenho pressa, como devagar
A comida insossa, não uso sal
Não me incomoda, não faz mal
Até me  ajuda bem mastigar.
Macrobiótico não, vegetariano
Só como mato; folhas, raízes e frutos
Parece coisas de homens brutos
Mas é necessidade de interiorano.
Bebo a água lá do velho riachão,
Borbulhante como chaleira a ferver
Mas é friinha, boa de se beber
Lava tudo, ainda irriga o chão.
Não tenho pressa, durmo devagar
Meu sonho é forte, amplo, profundo
Sonho com  as fantasias do mundo
Tão reais, pesadas pra carregar.
Moro no mato, não tenho casa
Não quero entulho, mobília,
Vivo sozinho, não tenho família
Tudo passou, ficou na cova rasa.
Sou livre como um passarinho
Vivo ao sabor do vento, sem temor
Não sei o que é paixão, ódio, amor
Por isso aprendi a viver sozinho.


































quinta-feira, 30 de outubro de 2014

É ASSIM QUE VOU...
Eu moro na estrada, minha profissão é andar
Voo nas asas do pensamento, me alimento de etéreos manjares
Sou ligeiro como o vento,  tenho pressa em chegar
Miro um futuro de paz, em meio às guerras  das ruas
E ao rufar dos antigos tambores; não sei o que é bom ou ruim
Não vejo o Bem nem o Mal, vejo condutas repressivas
E cavalos alados a passar, canto como os passarinhos,
Sou inconstante como as andorinhas e cheiro feito gambá;
Nado como as capivaras, vivo nas nuvens cinzentas
E velejo nas ondas do bravo mar; de tanto ir, tenho os pés feridos
Das pedras do meu caminho, busco enfim uma luz,

Um ponto lá distante, indefinido; não sei como nem quando alcançar.




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

"O NORDESTINO É SOBRETUDO UM FORTE"

                          -Euclides da Cunha in Os Sertões

JOSÉ LINS DO REGO
OSMAN LINS
JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA
AMAURY DE MEDEIROS
FERNANDO ANTÔNIO SIMÕES BARBOSA
ANTÔNIO FIGUEIRA
EVALDO CABRAL DE MELO
BARBOSA LIMA SOBRINHO
ARIANO SUASSUNA
GILBERTO FREYRE
...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

-Maria Isabel: você precisa acabar com essa mania de dizer que me ama.
-Carlos Alberto: mas eu te amo de verdade.
-Maria Isabel: não permiti que me amasse..
-Carlos Alberto: amor não tem cerimonial; amor acontece, não precisa de permissão. E eu não preciso de tua autorização para te amar.
-Maria Isabel:  e se eu não te amar?
-Carlos Alberto: pouco importa, eu te amo assim mesmo.
-Maria Isabel: eu vou casar com outro rapaz.
-Carlos Alberto: eu espero, sou paciente. Quem sabe, um dia, quando estivermos velhinhos, poderemos ter a oportunidade de nos amarmos.
O diálogo, longo e enfadonho, parou quando o pai de Maria Isabel chegou do campo. O velho Claudemiro  desceu do cavalo, tirou a cela do alazão, libertou-o dos arreios e com um leve toque no quadril o fez correr para a estribaria onde o esperava suculenta refeição a base de capim e mel de furo.
Carlos Alberto, antes sentado na varanda do terraço  da casa-grande, já estava de pé para cumprimentar o rígido e pouco simpático possível futuro sogro.
-Bom dia, coronel; estava aqui a  conversar com a Isabel...
-Maria Isabel, corrigiu o velho alto e avermelhado. "Vai filar também a bóia?".  

   -Compilado do meu livro ROMANCE À BEIRA DO RIACHO.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

                SABER VENCER E PERDER      
É preciso saber vencer e saber perder. Ninguém é dono da verdade. Até porque a verdade se faz de muitos pedaços de verdade.E cada um desses pedaços pode estar contaminado pelas paixões que costumam afetar o ego de quem os expõem. Há muita sujeira, que não pode ser ignorada. Mas se conhece apenas um lado do sub-mundo que existe nos porões da sociedade, e, por consequência, da política que a reflete. É preciso refazer a sociedade, começando pela reforma voluntário de cada um dos seus membros. Superar interesses egoísticos, buscar o lado bom que cada um carrega dentro de si. Se há lixo debaixo do tapete, e a faxina social insistir em mantê-lo assim, nada de prático se alcançará.

 Não vivemos no paraíso dos cristãos nem no Nirvana dos budistas. Vivemos numa sociedade de contrastes, movida por interesses muitas vezes mesquinhos, onde, infelizmente, vale mais TER do que SER. Desencilhar as armas e apear do cavalo alado da imaginação da sociedade perfeita! Talvez assim possamos começar a construir uma melhor do que a que temos.

domingo, 26 de outubro de 2014

UM PAÍS DE MILHÕES DE IGNORANTES...
Milhões  de ignorantes,  que até começos do Século XXI não tinham voz nem vez. Milhões de brasileiros e de brasileiras, que progrediram na vida através de oportunidades nunca antes conhecidas. Oportunidades de acesso ao ensino superior, através de programas como o ENEM, PROUNI, SISU, Pronatec. Cursaram escolas técnicas.  Milhões de brasileiros que saíram da miséria ou  se afastaram da faixa da pobreza. Trabalhadores,  que além do acesso mais amplo à educação, tiveram  oportunidades de comprar o carro próprio, novo, de viajar pela 1ª vez de avião, de adquirir crédito habitacional para adquirir a casa própria; de viajar ao exterior, fazer intercâmbio cultural. Nestes período, o Brasil  criou novas universidades  e interiorizou o ensino de terceiro grau. O trabalhador brasileiro teve sua pessoa respeitada e seu salário valorizado. O Brasil mudou. A mudança começou em 2006 com a eleição de Lula. Dilma deu continuidade ao trabalho de Lula, aprofundou-o e promete aperfeiçoá-lo. A re-eleição de Dilma Rousself é um marco histórico de duplo sentido na história do Brasil, quando uma mulher eleita pela 1ª vez para a suprema magistratura  do País, volta ao poder pelo voto popular. É hora de desarmar os palanques, esquecer as questiúnculas de natureza política e realizar um esforço concentrado para fazer o Brasil  emergir da crise econômica mundial, e consolidar sua posição de importância econômica, política e diplomática no cenário internacional.
Saudações a todos os brasileiros.

Boa noite.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

        AÉCIO REPRESENTA O VELHO CORONELISMO
Euclides da Cunha e seu mais fiel seguidor Guimarães Rosa desvendaram uma parte quase ainda invisível do Brasil. Os Sertões e Grande Sertão - Veredas são livros que mostram  os contrastes  de uma natureza exuberante e de uma gente ainda em formação. Mas o que os grandes escritores não imaginavam era que o Brasil fosse ser fatiado regionalmente e transformado num curral eleitoral. Em estados do Nordeste e do Sudeste, o voto ainda é de cabresto. Bahia e Minas Gerais, para citar dois grandes estados da Federação, têm regiões onde o voto de cabresto prevalece em regiões mais distantes  da capital e de grandes cidades. Na Bahia, tem  havido algum progresso nessa questão, mas as cidades mais distantes ainda são vulneráveis a esse jeito antigo de fazer política. Minas Gerais, uma Estado com mais de 800 municípios, tem duas regiões ricas: a metropolitana e o Triângulo Mineiro. O TM, com sua grande metrópole Uberlândia, possui  grande concentração de atividades econômicas que fazem a diferença na economia mineira. Mas tem o Vale do Jequitinhonha - o "nordeste" deles, região atrasada do ponto de vista econômico, político e social.  O expectro dessa  região se estende ao norte do Estado, com Montes Claros como cidade-polo.  Nessas áreas, a maioria das cidades são geridas pela mentalidade dos velhos coronéis. O voto é de cabresto, poucos são os que têm oportunidade de votar por opção própria, pois é grande o número de pessoas que dependem de empregos municipais, e votam no candidato do prefeito, sempre um dos membros da elite local.

Esse é o cenário onde Aécio Neves nasceu e cresceu. E esse  é o cenário que está mudando por força da atuação de  novas lideranças  políticas. Aécio, que quer mudar o Brasil, não conseguiu mudar o modo secular de gerir a coisa pública em Minas Gerais. Quem tá mudando é a nova safra de lideranças políticas mineiras. Aécio não representa mudança alguma; Ele é o continuísmo desse modelo de política velha. Minas Gerais - são os mineiros que afirmam, tem péssimo serviço de saúde, educação mal avaliada e altas taxas de criminalidade. E Aécio quer consertar tudo isso em plano Nacional. Antônio Carlos Magalhães, o velho chefão dos coronéis do ciclo do cacau,  teve sua política rejeitada pelos baianos; e Aécio, representante das oligarquias cafeeiras e pecu derrotado no seu próprio estado, também terá a rejeição da maioria dos brasileiros nas eleições do dia 26 próximo.
MENINA BONITA
Menina bonita dos cabelos lisos
Tão simples e brejeira a fazer pirraça
Teu jeito faceiro, essa tua graça
Fica tudo mais lindo com esses risos.

Menina bonita com rosto de maçã
Teu gênio forte e esses teus maneios
Tua coragem, dúvidas e os teus anseios
Te dão a doce  textura de uma romã.

Menina bonita de língua afiada,
Que buscas vencer na tua lida
Que  não te passas por coitada;

Menina bonita, decente e risonha
Ainda buscando rumos para a vida,
Uma vida reta, do jeito que sonha.




 LEMBRANÇAS
Uvas, muitas uvas no quintal
Mamão, cabaça, muita manga
-E o mísero homem de tanga
Nada desfruta   do parreiral.

O menino chora sem leite
A mãe agoniza no jirau
O pai, longe, no Sarau;
Na casa grande, o deleite

No barracão, briga, foiçada
O cão ladra, o vigia atira
E uma guerra de latada

Agita o pacato engenho;
Nunca briga ali se vira
-Ainda lembrança tenho.




































terça-feira, 21 de outubro de 2014

               MEU  SONHO  É VOCÊ

Sou carente sim. Preciso de alguém como você para levantar meu astral. Alguém que se importe comigo de verdade. Alguém que lembre que tenho que me alimentar seis vezes por dia. Que me lembre estar na hora do lanche. Sou desleixado, me preocupam mais as coisas do espírito do que as coisas da aparência. Nunca fui de seguir moda. Ninguém me dita moda. Tenho vocação para eremita, mas a sociedade tenta mudar  esse meu comportamento. Preciso de alguém que me compreenda, que me entenda e que me aceita assim como sou; com minhas loucuras e tudo. Esse "tudo"  significa meus fracassos, minhas vitórias, minhas tentativas  de acertar, meus defeitos e minhas virtudes, se é que tenho alguma. Sou destemido. Nada me amedronta. Vou até aonde meus passos permitem. Tenho pernas longas, se bem que já frágeis e claudicantes. Mas ainda sou firme; firme nas atitudes e na disposição de seguir em frente. Sou racional, talvez tenha racionalizado ao extremo minhas  posturas diante da complexidade da vida. Viajei muito, e pude conhecer uma parte deste imenso País. Vi de perto seus contrastes e suas maravilhas. Seus diferentes e exuberantes biomas, como a floresta amazônica, o pantanal mato-grossense, os pampas gaúchos, os sertões, as veredas, os grandes rios da bacia amazônica, os lagos, os serrados... Mas ainda não me realizei emocionalmente.Temo que se me sentir realizado vou acabar me sentindo ainda mais limitado. Quero alguém que seja esse meu limite! Que se limite em mim, sem me limitar. Sonhos são quimeras, mas a realidade se faz de sonhos, projetos, coragem e atitudes. Nunca é tarde! A vida só se extingue definitivamente quando acabam nossos sonhos. Você é minha realidade; meu sonho é você.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

                   PRECISAMOS DAR VALOR À VIDA
Precisamos dar valor à vida. (Re)construir uma família erigida sobre pilares firmes.  O que importa dizer: formatar uma sociedade mais justa. Estamos falando de pessoas. Pessoa precisa ser educada ainda no ventre materno, ou,  como diria educador peruano,"Vinte anos antes de ser concebida".  O ser humano é como uma planta. O valor da planta depende da semente que foi semeada, dos cuidados que se deve ter para que ela-a semente, não seja destruída junto ao mato arado que  vai fermentar. E a plantinha possa brotar, livre de pragas e crescer saudável, robusta e dar frutos. Sabe o dono da planta, que a saúde dela depende - além de boa terra, erradicação de ervas daninhas,  regas e chuvas, de condições climáticas favoráveis. Assim é a vida. Ela se aperfeiçoa aos poucos, sem pular etapas, sem pressas desnecessárias; um passo de cada vez. E como se faz ao construir uma casa, precisa de uma régua, de um prumo e de uma linha. Metáforas à parte, precisamos aprender a viver como irmãos, exercitando a paciência e a tolerância, respeitando as diferenças, sem tergiversar  com a ética.


sábado, 18 de outubro de 2014

 DESTEMIDA
Menina da pele morena
De cheiro de maracujá,
De porte esbelto,serena
De gosto de bom cajá.

Menina, flor de jardim,
Vida sofrida, alma pura
Como perfume de jasmim;
Tua fé teu tédio cura...

Menina de sonhos bons,
Porém de pés no chão,
Tua voz tem altos sons

Menina afoita, sem medo
De ganhar o próprio pão
Tua vitória  virá cedo!






quinta-feira, 16 de outubro de 2014

AMORES ESPEDAÇADOS
Caneca cheia de chope
Copo transborda de vinho
Prato com salsicha e farinha
Som da radiola de ficha
Fumaça de cigarro como figura
A embaçar o ambiente
Casais nas mesas se beijando
E o cheiro de bebida no ar.
No bar se afogam as lágrimas
De amores "eternos" desfeitos.
Uma mistura macabra de dor,
Desesperanças e saudades...
Pobres criaturas ingênuas,
Que fazem do bar um álibi,
Para esquecerem as mágoas
No peito ainda arraigadas.
"Nos bares as mesas cheias
De tantas mentes vazias".





          DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO
Neste Dia Mundial da Alimentação paremos um pouco para refletir sobre nossos hábitos à mesa. Temos alimentos saudáveis, cultivados nas hortas e sítios e que chegam  ainda fresquinhos às casas  dos brasileiros.  Mas, o corre-corre  do mundo moderno leva as pessoas a consumirem alimentos preparados em lanchonetes ou barracas de higiene duvidosa. São os fest-food.  Tudo o que somos, ao nos posicionarmos do ponto de vista moral e psicológico, sai pela boca. Analogamente, a boa saúde do nosso organismo, e não raro da nossa mente, entra pela boca. Não é só uma questão de contingência; tornou-se um problema estrutural da sociedade. É sim uma questão comportamental. Temos, pois, que mudarmos nossos hábitos alimentares se quisermos ter uma vida saudável. Obesidade, distúrbios hormonais, hipertensão arterial, diabetes , problemas gastrointestinais e outras doenças são curadas ou controladas pelas coisas que comemos.

Gordura, sal, açúcar, condimentos, bebidas alcoólicas, carnes vermelhas,  tudo isso pode fazer mal à nossa  saúde. E se adicionarmos enlatados, envasados ou esses alimentos industrializados facilmente encontrados nos supermercados, ai poderemos nos dar muito mal. Não podemos mais retornar ao velho, fumacento  e bom fogão à lenha ou carvão nem à penela de barro.  Mas poderemos voltar a fazer uso do fogão a gás e retomarmos a  alimentação saudável feita em casa, com os cuidados com o sódio, o açúcar e as gorduras, principalmente. Assim poderemos controlar o peso, os distúrbios gastrointestinais e as doenças crônicas. e degenerativas.  Vá ao seu médico ou seu nutricionista e peça os conselhos que eles sabem dar. E comemore o Dia da Alimentação do próximo ano, vivo e com mais saúde.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ALIMENTOS E POPULAÇÃO
A população  mundial é hoje estimada em 7 bilhões e 200 milhões de indivíduos. A maior concentração populacional  está na Ásia. A China  tem mais de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas, enquanto a índia abriga mais de 1 bilhão e 100 milhões de seres humanos. Essa região – a Ásia, é grande importadora de alimentos. Milho, trigo, arroz, açúcar, batatas, carnes e leite representam o maior contingente de produtos com valor agregado que faz parte da alimentação humana. O dado mais instigante dessa análise é que a projeção de crescimento da população  mundial  é que ela atinja 9 bilhões de indivíduos em 70 anos. Haverá condições  para uma oferta sustentável  de alimentos para uma demanda tão grande? A produção de alimentos cria vazios sanitários, cujos replantios podem ser afetados por alterações físicas ou biológicas.  Ademais, a demanda por alimentos  traz problemas de ordem ecológicas, econômicas e sociais. 
Haverá cada vez mais necessidades de terras, água e energia.


A produção mundial de alimentos é hoje da ordem de  4 bilhões de toneladas. Devido a fatores variados, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo inteiro. Isto, entretanto, não quer dizer que a produção de alimentos seja insuficiente para atender às demandas mundiais. Pelo menos, no momento. A má distribuição  do PIB mundial impede que regiões da África, Ásia e America Latina possam adquirir alimentos suficientes para suprir  suas populações.  Mas a situação tende a piorar. Questões climáticas no geral  e fatores econômicos  locais,   que acabam afetando todas as regiões do Planeta, tendem a diminuir  áreas de plantio. Falhas no planejamento das safras de grãos, coleta, armazenamento e transporte de grãos  são responsáveis por 30% a 50% de perdas  de alimentos, por desperdícios no campo, nos meios de transporte e nos mercados. Muitos alimentos de origem vegetal são descartados, por questões estéticas,  ainda no campo.  O mercado não aceita produtos que não tenham boa aparência. 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

                        15 DE OUTUBRO
              DIA  DO   PROFESSOR
Solange Silva, Thia Luh Ferreira, Vivianne Dutra Araújo, Emílio Moura, Sandra Wenceslau, Katarina Rocha, Maria Eliane Santos,  Samária Moura,  Juliana Gama, Ana Lúcia Coutinho Domingues, Esmeraldina, dona (in memorian)...

Mesmo desvalorizados, com baixos salários e expostos à violência dentro da sala de aula, o PROFESSOR foi, é e será sempre o repassador de conhecimentos, o indutor do hábito de pensar.  Ser professor é consumir horas  lendo muitos livros, pensando o mundo e seus problemas, trabalhando naquela aula do dia seguinte, que mesmo se repetindo sempre, o instiga a buscar novos horizontes para repassar aos seus alunos. Dois instantes, em épocas diferentes, fixam a importância do professor e da sua principal e inseparável ferramenta de trabalho - o livro, num mundo hoje  perturbado  pelas contradições da globalização e cada vez mais  digital:
Ó bendito o que semeia,                           
livros, livros à mancheia                            
e manda o povo pensar                                                                                                                   
o livro caindo n'alma,                                                                                                         
é germe que faz a palma,
é chuva que faz o mar.
-Castro Alves (Século XIX)
       ********
"Uma criana, um professor, uma caneta e um livro podem salvar o mundo"
                 Malala Yousafzai, 17 anos, Prêmio Nobel da Paz 2014
                                        (recentemente)


O HOMEM JÁ VISITOU A LUA E PRETENDE IR À MARTE; JÁ PENETROU AS PROFUNDIDADES SUBMARINAS E PERSCRUTOU A IMENSIDÃO ASSUSTADORA  DOS SEGREDOS DA VIDA E DA MORTE. NADA DISSO TERIA ACONTECIDO  SEM A INDISPENSÁVEL  ATUAÇÃO, LÁ NA PONTA INICIAL, DO PROFESSOR. 

domingo, 12 de outubro de 2014

    P  O  B  R  E  Z  A
No frasco  a pimenta  ardente
No pratão  coletivo o ensopado
Na tigela de barro pirão quente
Sem sal, ganho enforcado.

Depois da cotidiana labuta
No eito, enxada, facão, chapéu
Outra epopéia, outra luta
Sob a inclemência do céu.

Pobre homem, triste família
Mulher e filhos  pequenos
Uma noite chuvosa, vigília

Na casa  feita de pedaços de pau
Descansam os corpos, serenos
No infame, feio e frio  jirau.